Exposição Flores de Obaluaiê aborda rejeição e acolhimento

Nedilson Machado
Segundo o artista plástico Miguel Veiga: “Todas as obras foram criadas como uma metáfora da figura humana sendo dilacerada” (Fotos/Divulgação)

O Centro Cultural do Ministério Público do Maranhão vai abrir, nesta terça-feira (17), a exposição “Flores de Obaluaiê”, do artista plástico Miguel Veiga.

As 19 obras (pinturas e esculturas) debatem a rejeição por conta da orientação sexual, gênero e etnia. O trabalho fica em cartaz até o dia 1º de julho no Espaço de Artes Ilzé Cordeiro.

A concepção artística da mostra, dividida em dois ambientes, é motivada pela questão social da violência sofrida pela população LGBTQIA+ e outras minorias discriminadas por não corresponderem ao padrão social majoritário.

A exposição retrata como as minorias sexuais, muitas vezes, carregam angústias e transtornos que são resultados de agressões e discriminações ao longo da vida. Miguel Veiga usa esses bordões como títulos das suas obras como uma estratégia para dar um tom de libertação à abordagem do tema.

Uma das peças da exposição “Flores de Obaluaiê”

 

Um exemplo é a escultura “Armário da Eterna Purpurina”, que é a representação de um caixão com recortes de notícias dos assassinatos de pessoas LGBTQIA+. “Todas as obras foram criadas como uma metáfora da figura humana sendo dilacerada. É uma representação dessa população que vem sendo maltratada e discriminada. O sofrimento é visto como uma espetacularização em forma de notícia”, explica o artista.

Contra a homofobia

O Dia Internacional Contra a Homofobia, comemorado em 17 de maio, faz referência à data em que o termo “homossexualismo” deixou de ser aceito e utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sinônimo de doença.

A terminologia discriminatória foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) em 17 de maio de 1990.

“Essa luta abrange várias populações discriminadas. Quando eu montei essa exposição, tive que fazer uma espécie de âncora, que são bordões pejorativos como ‘fulano está dentro do armário’, ‘fulano é aquele gay dentro armário’. Então fiz essa instalação remetendo a esse universo de repressão, de clausura, auto aprisionamento. Eu tive um viés mais abstrato, que vai fundamentar todo o pensamento, que é o mito de Obaluaiê, pois abarca vários aspectos do sofrimento humano como rejeição e acolhimento”, detalhou Miguel Veiga.

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