Nazareno Lima, da Alphaways Investments, analisa o cenário de investimentos em tempos da Covid-19 ( foto/divulgação)

 

Diante da pandemia do novo coronavírus muitas incertezas surgiram, uma delas diz respeito ao cenário econômico. O assessor de investimentos, CEO da Alphaways Investments, credenciada XP no Maranhão, Nazareno Lima, fala sobre o assunto.

 

Blog do Ned: Como você avalia os impactos do novo coronavírus sobre o mercado financeiro?

Nazareno Lima – Diante da pandemia do coronavírus estamos presenciando medidas de segurança e prevenção dos governos em todo o mundo como lockdowns (bloqueio) e fechamentos de estabelecimentos. Essa restrição de circulação certamente impacta o consumo e traz volatilidade para o mercado financeiro na medida em que os investidores perdem a referência das receitas futuras das empresas. O impacto é de alta magnitude, no entanto, vemos medidas das maiores economias do mundo para conter a desacelaração econômica, além de uma situação de caixa e endividamento saudável em muitas companhias, o que em relação a crises passadas configura um sinal positivo. O mundo parece ter aprendido com as crises anteriores.

 

Blog do Ned: Há certo tempo, bolsas do mundo inteiro vinham demonstrando intenso crescimento, entre elas o Ibovespa, que chegou a superar 118 mil pontos em janeiro. A queda brusca, registrada atualmente, se deve estritamente à pandemia da Covid-19 ou o mercado financeiro já previa uma queda na bolsa?

 Nazareno Lima – As bolsas do mundo inteiro estavam de fato em uma tendência forte de alta e muito “esticadas”. O mercado financeiro sempre tenta antecipar os movimentos o que pode acarretar certa euforia nos preços. No Brasil por exemplo, esta alta já contava com a expectativa de melhora significativa no PIB. O novo cenário apresentado pela Covid-19 quebrou esta expectativa, o que corroborou para um movimento mais forte de queda.

 

Blog do Ned: Por quais razões a bolsa brasileira está sendo uma das mais prejudicadas em todo o mundo?

Nazareno Lima – A bolsa brasileira historicamente apresenta volatilidade maior que a dos demais países ao redor do mundo. Muito por conta da falta de cultura e conhecimento em relação a investimentos, aqui o pânico geralmente é maior. Entretanto, a principal razão se deve ao baixo grau de investimento no Brasil. O investidor estrangeiro não se sente confortável em manter o capital aqui, e em tempos de crise vemos um alto fluxo vendedor destes.

 

Blog do Ned: Há um caminho para proteger os investimentos pessoais diante de fortes quedas da bolsa?

Nazareno Lima – Recomendamos sempre em primeiro lugar se ater à composição correta da parcela de renda variável em seu portfólio de acordo com o seu perfil, manter sempre uma reserva de oportunidade e reserva de emergência em ativos de renda fixa já traz muito equilíbrio para a carteira do investidor. Há alguns instrumentos financeiros que também são propícios para gerar rentabilidade e proteção em mercados de baixa como o ouro, contratos de índice do mercado futuro e opções de venda. Se utilizados corretamente estes ativos podem proporcionar uma boa proteção para a carteira de investimentos.

 

Blog do Ned: Quais são as expectativas para o mercado em curto, médio e longo prazo?

 Nazareno Lima – No curto prazo certamente ainda é de volatilidade, o mercado não mostrou claramente ainda sinal de reversão da tendência de baixa. No médio prazo a medida que a percepção dos impactos nas empresas fica mais claro se espera uma normalização do mercado e queda da volatilidade. No longo prazo muitas empresas provavelmente voltarão às atividades normais e poderemos ver um processo de reestocagem no mercado que fomentara substancialmente as receitas das empresas. Apesar do consenso de projeções pessimistas para este ano, muitas instituições já projetam grande recuperação econômica para o próximo ano, o que nos deixa otimista em relação ao longo prazo.

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