FIEMA recebe Câmara Brasil-Portugal e discute caminhos para ampliar negócios

Nedilson Machado
O superintendente da FIEMA, César Miranda, ressaltou a importância de ampliar a aproximação empresarial entre Maranhão e Portugal e afirmou que o estado reúne condições para atrair novos investimentos (Foto/Divulgação)

Preparação empresarial e custos logísticos estão entre os desafios apontados no encontro

As oportunidades de negócios entre Maranhão e Portugal, além dos entraves que ainda dificultam a internacionalização de empresas maranhenses, foram discutidos nesta terça-feira (6) durante visita institucional de integrantes da Câmara de Comércio, Indústria, Turismo e Serviços Brasil-Portugal no Maranhão à Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA). O encontro reuniu representantes do setor produtivo, empresários e especialistas para avaliar possibilidades de investimentos e ampliar a conexão do estado com o mercado europeu.

Criada em junho deste ano e presidida por Júlio Moreira Gomes Filho, a Câmara Brasil-Portugal integra uma rede nacional de entidades com o propósito de aproximar empresas, investidores e instituições públicas dos dois países, apoiar o comércio bilateral e ampliar o acesso do empresariado maranhense a Portugal e à União Europeia. Durante a reunião, foram apresentados dados sobre comércio exterior, infraestrutura, logística e setores com potencial de expansão, como turismo, economia do mar, indústria e serviços.

A Economia do Mar ocupou lugar de destaque sendo citada por Nuno Gustavo da Silva Martins, vice-presidente da Câmara Brasil-Portugal como um dos potenciais do Maranhão. O vice-presidente executivo da FIEMA, Luiz Fernando Renner, apresentou o tema como agenda estratégica da Federação diante das características geográficas do litoral e da possibilidade de expandir negócios ligados a essa área, e destacou a expertise de Portugal nesse setor.  A discussão dialoga também com a importância do complexo portuário de São Luís.

O turismo, atividade que integra a Economia do Mar, surgiu como outra frente de interesse. Representantes da Câmara citaram o patrimônio histórico de São Luís, os Lençóis Maranhenses e demais atrativos naturais como ativos capazes de estimular aportes portugueses. O superintendente da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (SEDEPE), Rocha Neto, ressaltou a importância de converter os elos do passado em oportunidades concretas, com projetos que movimentem capital, gerem negócios e ampliem a produção.

BALANÇA COMERCIAL – O superintendente da FIEMA, César Miranda, ressaltou a importância de ampliar a aproximação empresarial entre Maranhão e Portugal e afirmou que o estado reúne condições para atrair novos investimentos e ampliar sua inserção em mercados internacionais. Segundo ele, a Federação desenvolve ações voltadas à preparação de empresas, à conexão entre fornecedores e compradores e à abertura de novas oportunidades comerciais. Nesse contexto, a parceria com a Câmara Brasil-Portugal no Maranhão pode contribuir para aproximar empresários, identificar oportunidades e transformar o potencial econômico maranhense em negócios.

Os números apresentados pelo Observatório da Indústria do Maranhão durante a reunião mostram espaço para ampliar a balança comercial. Entre janeiro e setembro, o Maranhão exportou US$ 2,44 milhões a Portugal e importou US$ 3,90 milhões, um déficit de US$ 1,46 milhão na balança comercial do Maranhão. No período, a soja correspondeu por 85% das exportações, os combustíveis por pouco mais de 10% e o restante foi de produtos como feijão, águas minerais e carne desossada bovina. Já as importações ficaram concentradas em azeite de oliva, quase 80%, além de vinhos e produtos de cortiça aglomerada como cubos, blocos e chapas.

AGREGAÇÃO DE VALOR – A preparação das empresas locais para competir fora do país também esteve em pauta. A coordenadora do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores do Maranhão (PDF Maranhão), da FIEMA, Camila Leite, citou iniciativas que aproximam fornecedores maranhenses de compradores estrangeiros, incluindo rodadas internacionais de negócios.

Por sua vez, a empresária Ana Paula Grolli, presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentos do Maranhão (SIAMA), participou dessas agendas e relatou dificuldades no processo, entre elas os custos logísticos, fator capaz de comprometer a competitividade dos produtos locais no exterior. Nesse contexto, o economista Carlos Eduardo Campos, do Observatório da Indústria, avalia que frutas regionais e produtos industrializados como geleias e polpas podem agregar valor às exportações maranhense com destino à Portugal e à Europa em geral.

Para Nuno Martins, entrar em novos mercados exige planejamento. Antes de elevar o volume exportado, as companhias precisam avaliar capacidade produtiva, estrutura financeira, suporte jurídico e demais condições que garantam continuidade às negociações. “O empresário precisa primeiro se preparar para, em um segundo momento, conseguir exportar com segurança”, afirmou.

Júlio Moreira Gomes Filho defendeu que a Câmara atue também na capacitação de empresas maranhenses interessadas em internacionalizar suas operações com Portugal e outros países. A entidade pretende funcionar como ponte entre investidores estrangeiros e empreendedores locais, repassando informações sobre oportunidades, legislação e condições para operar em outras praças. Moreira citou ainda mecanismos portugueses de apoio à expansão externa e à instalação de empreendimentos que podem auxiliar o empresário que deseja ingressar no mercado europeu.

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