Tecnologia social será transferida para quatro comunidades da Grande São Luís e integra ações de projeto em parceria com a Petrobras (Fotos/Divulgação)
O projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é fruto de uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) com a Petrobras. Quatro comunidades da Região Metropolitana de São Luís estão sendo beneficiadas com diversas capacitações. No Maranhão, o SENAI-MA desenvolve ainda tecnologias sociais que estimulam a bioeconomia com uso sustentável de resíduos da juçara e do coco verde, que descartados de forma incorreta causam danos ao meio ambiente.
No processo de fabricação do tijolo ecológico criado pelo SENAI-MA parte da água é substituída pelo líquido da casca do coco verde (LCCV), que é um resíduo de elevada carga orgânica com potencial poluidor do solo e de lençóis freáticos. De acordo com dados do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), de 2021, o Brasil é o 5º maior produtor mundial do fruto, atrás de países como Indonésia, Filipinas e Índia. Enquanto a produção do exterior é destinada especialmente para fabricação de óleo e farinha, em solo nacional o fruto serve para produção de coco ralado, leite de coco e água de coco. A Região Nordeste é a principal produtora, com o Ceará, Bahia e Alagoas liderando esse ranking. O Maranhão aparece com 1,701 milhão de frutos produzidos em 2020.
Depois do consumo em áreas urbanas e litorâneas, é comum a casca do coco verde seguir para lixeiras, praias, aterros sanitários ou lixões. Esses resíduos levam de oito a 10 anos para se degradar. Daí a importância pela busca de usos produtivos tanto para a fibra quanto para o próprio líquido da casca do coco verde, um chorume poluente. Em relação à fibra, o SENAI-MA está transformando o mesocarpo do coco em farinha para enriquecer o trigo utilizado na fabricação de pães e biscoitos.
QUALIDADE ACREDITADA – A pesquisa para extração e utilização do líquido da casca do coco verde na construção civil está sendo realizada no Laboratório de Ensaios Físicos e Mecânicos (LEFM), da unidade do SENAI Distrito Industrial, em São Luís. O LEFM realiza análises nas áreas de construção civil e mecânica para verificar se materiais atendem a requisitos técnicos e normativos. O laboratório também apoia empresas com serviços laboratoriais, consultoria e pesquisa aplicada, com estrutura acreditada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO).
Na prática, o LEFM testa itens como concreto endurecido, blocos vazados de concreto, blocos cerâmicos, telhas e agregados. Esses ensaios medem resistência, absorção de água, características geométricas, impermeabilidade e composição granulométrica, entre outros parâmetros. O laboratório segue a NBR ISO/IEC 17025 e integra a Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio. A unidade usa base tecnológica que permite ao cliente acompanhar resultados parciais e finais pela web, o que dá suporte a controle de qualidade e validação de soluções para a indústria.
O consultor tecnológico do SENAI Distrito Industrial, Givaldo Santos, explicou que o LEFM, além de prestar serviços com escopo acreditado com telhas cerâmicas, blocos cerâmicos, blocos de concreto, agregados e o corpo de prova (CP) cilíndrico de concreto, atua também na prestação de serviço em parceria com a Petrobras, nas cadeias produtivas, desenvolvendo tecnologia a ser aplicada dentro de comunidades locais.
“O laboratório está atuando na parte da construção civil, utilizando resíduos gerados por descarte feitos pelas comunidades, como resinas naturais de coco verde, para fabricação de produtos industriais inovadores como blocos de concreto. Estamos estudando como esse líquido poluente pode ser incorporado a novos produtos e retornar para as comunidades como benefício para construção em suas próprias residências ou para empreender”, explicou o consultor.
A tecnologia social do tijolo ecológico, assim como as demais desenvolvidas no âmbito do projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” serão transferidas para as comunidades que participam dessa iniciativa. São elas: Igaraú, na Estiva, e Maracanã, em São Luís; Pindoba, em Paço do Lumiar; e Mangue Seco, na Raposa.
O projeto contempla ainda capacitações gratuitas nas quatro comunidades com cursos como Educação Ambiental e Processos Construtivos em Alvenaria, já realizados. Outros cursos, como Boas Práticas de Fabricação (BPF), Fundamentos de Qualidade da Água e Técnica de Panificação e Produção de Biscoitos, serão realizados em sequência. O instrutor do SENAI-MA na área de construção civil, Carlos Ramos, explicou que os alunos tiveram a oportunidade de conhecer melhor o segmento e de aprender os fundamentos para adequação na obra, como esquadro, nível, alinhamento e um pouco sobre leitura e interpretação de projetos. “Esse aprendizado será útil tanto para obras em suas próprias residências quanto para que entrem no mercado de trabalho”, destacou Carlos.
Ângela Maria Prazeres de Souza, uma das alunas da comunidade de Maracanã, afirmou que o curso de Processos Construtivos em Alvenaria representou mais uma etapa de aperfeiçoamento em sua trajetória profissional. Com experiência anterior em construção civil e formação como mestre de obras e azulejista, ela disse que as aulas foram importantes para reforçar a prática, recuperar conhecimentos e ampliar a agilidade no trabalho. “Já aplico em obras na minha casa o que aprendi. Além disso, o curso me trouxe superação, formação e mais experiência”, frisou Ângela.
O projeto “Fortalecimento das Cadeias Produtivas do AP, PA e MA para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é uma iniciativa em parceria com a Petrobras, por meio do seu Programa Petrobras Socioambiental, que apoia iniciativas socioambientais voltadas à promoção da inclusão produtiva, da sustentabilidade e do desenvolvimento local.



