SENAI-MA cria filtros de água ecológicos a partir de resíduos do coco verde e da juçara

Nedilson Machado
O laboratório analisa água potável, águas ambientais e efluentes, além de alimentos e bebidas. O objetivo é garantir que produtos e processos estejam em conformidade com as normas sanitárias, contribuindo para a segurança dos consumidores e para a prevenção de penalidades às empresas (Fotos/Divulgação)

 

O SENAI-MA está criando filtros ecológicos feitos a partir de resíduos da casca do coco verde e dos caroços da juçara. Essa tecnologia, que está sendo desenvolvida pelo Laboratório de Qualidade Alimentar (LAQUA), do SENAI Distrito Industrial, tem como objetivo o tratamento de água e busca ajudar na diminuição do descarte irregular desses resíduos.

A pesquisa dessa tecnologia integra ações do projeto “Fortalecimento das Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal”, uma parceria entre o SENAI e a Petrobras.  As comunidades de Igaraú e Maracanã, em São Luís; de Mangue Seco, na Raposa; e da Pindoba, em Paço do Lumiar serão beneficiadas.  Esses locais possuem grande presença desses recursos e por conta disso os filtros ecológicos podem fornecer uma solução sustentável e acessível para o tratamento de água nessas localidades.

POTABILIDADE – Essa tecnologia está sendo desenvolvida pelo LAQUA, que realiza ensaios laboratoriais físico-químicos e microbiológicos para atender às exigências da legislação e às necessidades do controle de qualidade da indústria. O laboratório analisa água potável, águas ambientais e efluentes, além de alimentos e bebidas. O objetivo é garantir que produtos e processos estejam em conformidade com as normas sanitárias, contribuindo para a segurança dos consumidores e para a prevenção de penalidades às empresas.

Além das análises laboratoriais, o LAQUA oferece serviços voltados ao monitoramento da qualidade da água, elaboração de tabelas nutricionais, desenvolvimento de novos produtos e assessoria para rotulagem. O laboratório também realiza análises em diferentes categorias de alimentos e bebidas, como carnes, leite e derivados, panificados, bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Por conta dessa expertise é que a pesquisa sobre os filtros ecológicos com resíduos do coco verde e da juçara estão sendo realizadas pelo LAQUA.

Leandra Santos, instrutora de ensino superior do SENAI DI, explicou que foram coletadas amostras de água provenientes de locais como poços, riachos e caixas d’água utilizados no dia a dia pelos moradores das comunidades beneficiadas. Por meio da análise físico-química e microbiológica e do uso de softwares de rastreamento, feitos pela instrutora e sua equipe, foi constatado que essa água utilizada para tarefas domésticas não atende aos padrões de potabilidade. Ou seja, a água não é própria para o consumo humano.

Os testes laboratoriais dos filtros ecológicos estão sendo realizados com a água das amostras coletadas nas comunidades. Para a produção dos filtros ecológicos são utilizadas as cascas do coco verde, com aproveitamento do mesocarpo, além dos caroços e das raquíolas da juçara, ou como são conhecidos popularmente os “dedinhos’’ dos cachos da juçara. Essa parte é fibrosa e auxilia na absorção de impurezas contidas na água.  “Esse conjunto de materiais filtrantes apresenta potencial inovador, já que as comunidades utilizam os cachos da juçareira apenas como vassouras”, acrescentou Leandra.

TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA – Por se tratar de uma tecnologia que lida com o tratamento de água, o processo de elaboração dos filtros é complexo e exige etapas específicas, como preparo, lavagem, secagem e moagem dos resíduos e a montagem dos filtros. Por conta disso, o SENAI-MA avalia como será feita a transferência dessa tecnologia social para as comunidades beneficiadas pelo projeto a fim de garantir a replicação do processo de maneira eficaz utilizando utensílios que as pessoas têm em casa, como fornos, liquidificadores e peneiras.

Além dos filtros ecológicos, no âmbito do projeto em parceria com a Petrobras estão sendo pesquisadas outras tecnologias para aproveitamento dos resíduos tanto do coco verde quanto da juçara. Exemplo disso são os tijolos ecológicos que utilizam em sua composição líquido poluente proveniente da casca do coco verde e a produção de farinha de mesocarpo do coco para enriquecer pães e biscoitos com fibras.

O projeto contempla ainda a promoção de cursos de formação para as comunidades, como o de Educação Ambiental. O curso teve como objetivo a conscientização sobre práticas sustentáveis e a integração das vivências e saberes ancestrais das comunidades. Para Rosana Ferreira Diniz Cantanhede, moradora do Maracanã, que fez o curso na União dos Moradores do Bairro da Alegria Maracanã, o impacto da formação foi importante e gerou conhecimentos que ela própria passou a observar e aplicar no seu cotidiano. “A gente aprendeu sobre a forma correta de lidar com a natureza, com a juçareira e com o brejo.” relatou ela.

O projeto “Fortalecimento das Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é uma iniciativa em parceria com a Petrobras, por meio do seu Programa Petrobras Socioambiental, que apoia iniciativas socioambientais voltadas à promoção da inclusão produtiva, da sustentabilidade e do desenvolvimento local.

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