Projeto discutido na FIEMA reúne SESI Nacional, Vale e Ambev e prevê modelo voltado à saúde integral do trabalhador da indústria (Fotos/Divulgação)
O Maranhão foi escolhido para sediar o projeto-piloto de um novo modelo do SESI Clínica voltado à saúde integral do trabalhador da indústria. A proposta foi discutida nesta quarta-feira (7), durante reunião realizada na Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), com participação de representantes do Departamento Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), da Vale e da Ambev.
A iniciativa prevê a construção de uma clínica baseada em atenção primária, prevenção e acompanhamento contínuo da saúde dos trabalhadores, indo além dos serviços tradicionais de saúde ocupacional oferecidos historicamente pela entidade do Sistema Indústria.
“Estamos aqui em São Luís, no Maranhão, para que o SESI possa pensar na construção de uma clínica de vanguarda, a primeira clínica voltada à saúde integral do trabalhador”, afirmou o diretor-superintendente do SESI Departamento Nacional, Paulo Mol. “A ideia é a construção de uma clínica diferente de todas as outras, em que, mais do que o atendimento na parte dos programas de saúde ocupacional, ela trate de fato da saúde e do acompanhamento do profissional nas suas principais linhas de cuidado”, disse.
Segundo Mol, o projeto começa a ser estruturado em parceria entre o SESI Nacional, o SESI Maranhão e empresas que atuam no estado, com expectativa de que o modelo seja posteriormente replicado em outras unidades da federação.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e diretor regional do SESI, Edilson Baldez, afirmou que o objetivo é ampliar o acesso à assistência em saúde para empresas industriais, especialmente diante das características do setor produtivo maranhense, formado majoritariamente por micro e pequenas empresas.
“A nossa intenção é ampliar esse atendimento a todas as empresas. Para isso, estamos recorrendo a modelos que já existem hoje na Vale e na Ambev”, afirmou. “Vamos construir aqui o nosso novo SESI Clínica, que será um modelo diferenciado para todo o Brasil. É um projeto-piloto que a CNI e o SESI Nacional vão começar pelo Maranhão.”
A superintendente regional do SESI Maranhão, Regina Sodré, afirmou que a proposta busca criar uma estrutura voltada às necessidades reais dos trabalhadores da indústria no estado. “O objetivo é pensar uma clínica inovadora, que atenda às reais necessidades do trabalhador da indústria”, disse. Segundo ela, a iniciativa poderá ampliar e fortalecer os serviços de saúde oferecidos ao setor industrial maranhense.
SAÚDE INTEGRAL – Durante o encontro, representantes da Fundação Zerrener, ligada à Ambev, e do Plano de Assistência à Saúde dos Aposentados (PASA), ligado ao grupo Vale, apresentaram experiências de gestão em saúde baseadas em atenção primária, acompanhamento contínuo e uso de tecnologia para monitoramento da saúde dos trabalhadores.
O superintendente-geral da Fundação Zerrener, Eduardo Spinussi, afirmou que o projeto discutido no Maranhão busca criar uma clínica de atenção primária capaz de acompanhar os trabalhadores de forma contínua e integrada.
“O sistema hoje é extremamente fragmentado. Hospitais, médicos e laboratórios não conversam entre si”, afirmou. Segundo ele, o modelo proposto pretende oferecer “um cuidado genuíno”, com acompanhamento contínuo dos beneficiários e uso de tecnologia para identificar riscos precocemente. “Fazer programas de atenção primária à saúde é salvar vidas. E isso também ajuda a tornar o custo da saúde mais sustentável e a indústria mais competitiva”, complementou.
Já o presidente do PASA, Ricardo Gruba, afirmou que o modelo de atenção primária permite reorganizar a jornada do paciente e reduzir o uso excessivo de procedimentos de alta complexidade. “O modelo tradicional dispersa o usuário na rede. O ‘Meu Médico’ organiza a entrada do paciente no sistema e consegue resolver entre 80% e 90% das demandas”, afirmou. Segundo Gruba, áreas como saúde mental, ortopedia e clínica da dor estão entre as principais prioridades para redução de afastamentos e melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
A reunião também contou com a participação dos vice-presidentes executivos da FIEMA, Celso Gonçalo e Fábio Nahuz; do 1º vice-presidente do Sinduscon, Edimilson Pires; da coordenadora de Segurança e Saúde na Indústria do SESI-MA, Adriana Sabatini; e do superintendente de Saúde na Indústria do SESI Nacional, Emmanuel Lacerda; e do gerente de Saúde Integral do SESI Nacional, Thiago Taho, que participaram da reunião realizada na sede da FIEMA, em São Luís.



