O Prêmio IEL reconhece talentos que fazem a diferença e ajudam a construir o futuro do mercado de trabalho.
A iniciativa contempla estagiários, bolsistas do programa Inova Talentos, empresas e instituições de ensino técnico e superior (Foto/Divulgação)
Instituto aproxima estudantes do mercado de trabalho, apoia empresas na seleção de profissionais e capacita trabalhadores e lideranças
O Instituto Euvaldo Lodi do Maranhão (IEL-MA) completa 56 anos no dia 7 de setembro com uma atuação voltada à formação profissional, à inserção de jovens no mercado de trabalho e ao desenvolvimento das empresas. Por meio de programas de estágio, aprendizagem, recrutamento e educação executiva, a instituição conecta profissionais às oportunidades abertas no estado. O trabalho responde a um dos principais desafios do setor produtivo: encontrar pessoas com formação e perfil compatíveis com as necessidades das empresas. A falta de profissionais qualificados afeta a produtividade, eleva custos e limita a capacidade de expansão dos negócios.
Para a coordenadora regional do IEL-MA, Michele Frota, as empresas passaram a avaliar, além do conhecimento técnico, aspectos como comportamento, iniciativa, interesse e capacidade de integração. “O principal desafio é reter esses talentos, mas, acima de tudo, saber como selecioná-los. Hoje, a questão técnica é fundamental, mas o aspecto comportamental também tem um peso muito grande”, afirma Michele.
Ainda segundo a coordenadora, as empresas antes concentravam a análise no currículo técnico dos candidatos. Agora, muitas iniciam a seleção pela avaliação do perfil comportamental. “A competência técnica é muito mais fácil de desenvolver do que a comportamental. O desafio é equilibrar essas duas competências”, explica.
A demanda por trabalhadores aparece nas pesquisas realizadas pelo Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA). O coordenador do Observatório, Carlos Jorge Taborda, afirma que empresas de diferentes segmentos mantêm vagas abertas, mas enfrentam dificuldades para localizar profissionais preparados. “Por todas as indústrias que visito, os gestores falam que têm vagas disponíveis e precisam de mão de obra. O desafio é mostrar ao jovem que a indústria tem oportunidades de trabalho”, diz Carlos Jorge.
Nesse cenário, o IEL-MA atua desde a entrada de estudantes no ambiente profissional até a capacitação de gestores. O Programa IEL de Estágio aproxima empresas de alunos de cursos técnicos e de graduação. O Programa IEL Jovem Aprendiz abre espaço para a primeira experiência profissional. Já o serviço de Recrutamento e Seleção identifica candidatos conforme os perfis definidos pelas organizações. O Instituto também oferece educação empresarial e executiva para profissionais que ocupam funções de gestão ou se preparam para assumir novos desafios. As capacitações abordam temas ligados à liderança, à produtividade, à gestão de equipes e às mudanças no mercado de trabalho.
ESTATÍSTICAS – Nos últimos 25 anos, mais de 35 mil estudantes participaram do Programa IEL de Estágio no Maranhão. No mesmo período, 26.639 profissionais passaram pelas ações de educação executiva e mais de 20 mil pessoas participaram de processos conduzidos pelo serviço de Recrutamento e Seleção. Criado em 2022, o Programa IEL Jovem Aprendiz alcançou 906 participantes em quatro anos.
Apesar da oferta de vagas, o IEL-MA também identifica redução na procura de estudantes por algumas oportunidades. Michele Frota cita o curso de Administração como exemplo. Segundo ela, o Instituto conseguia encaminhar candidatos e concluir processos seletivos em cerca de dois dias. Hoje, parte das vagas leva mais tempo para receber inscrições. “A vaga existe e a oportunidade existe. O que sentimos falta é do interesse e da busca por todas as etapas do processo”, relata. Para facilitar o acesso, o IEL-MA reformulou seu sistema de recrutamento há cerca de dois anos. A plataforma permite que o estudante consulte vagas, apresente sua candidatura e acompanhe a seleção.
MERCADO DE TRABALHO – A disponibilidade de profissionais também influencia as decisões sobre novos investimentos. Para Carlos Jorge, o Maranhão precisa preparar trabalhadores para processos produtivos que incorporam automação, inteligência artificial e outros recursos tecnológicos. “Não adianta trazer um equipamento moderno ou fazer uso da inteligência artificial se não houver pessoas preparadas para essa tecnologia. Para o Maranhão avançar em competitividade, precisamos levar tecnologia a todo o estado e incorporá-la aos processos produtivos”, afirma. Na avaliação do coordenador, a tecnologia não elimina o papel das pessoas. Ela exige novas competências. “A tecnologia, por si só, não fará diferença na indústria. É preciso ter uma pessoa capacitada, que saiba trabalhar com ela e extrair seu potencial”, acrescenta.
A parceria com o Hospital São Luiz, Hospital dos Servidores do Estado do Maranhão (HSLZ), é um exemplo de como essa atuação chega às organizações. O diretor-geral da instituição, Plínio Tuzzolo, afirma que a formação técnica precisa estar associada a atitudes como empatia, responsabilidade e capacidade de relacionamento, sobretudo no setor hospitalar. “O maior patrimônio de qualquer empresa é a equipe que ela tem. Em um hospital, que reúne várias áreas voltadas ao cuidado com a saúde, precisamos revelar talentos, reter profissionais e avaliar a formação pessoal”, declara Plínio.
O diretor também destaca o IEL-MA como fonte de profissionais para o hospital. “O IEL tem sido para nós um banco de dados muito importante. Aproveitamos muitos profissionais que começam a carreira em nossa instituição”, afirma. Para ele, os programas de estágio e aprendizagem oferecem ao jovem a oportunidade de adquirir experiência e avançar na vida profissional.
A parceria recebeu reconhecimento no Prêmio IEL 2026, realizado em agosto. O HSLZ conquistou a categoria Empresa Destaque e teve um representante premiado na categoria Aprendiz Destaque. Davi Chaves, de 19 anos, estudante de Engenharia de Software e integrante da equipe do HSLZ, criou o Sistema de Gestão de Fracionamento Inteligente (SGFI) após identificar uma necessidade no setor farmacêutico da unidade. A solução registra dados sobre o fracionamento de medicamentos e amplia o controle e a rastreabilidade do processo.
O projeto exemplifica a proposta que orienta o IEL-MA ao longo de seus 56 anos: aproximar formação e prática, abrir caminhos para novos profissionais e ajudar as empresas a formar equipes compatíveis com seus objetivos. Em uma economia que exige qualificação e adaptação, o IEL-MA mantém as pessoas no centro da produtividade e do desenvolvimento industrial do Maranhão.



