O autor Félix Alberto explica a origem do título: “Andar com o coração na boca é viver sobressaltado diante do mundo, como se cada esquina guardasse um susto” (Foto/Divulgação)
O poeta e jornalista maranhense Félix Alberto Lima lança daqui a pouco, mais precisamente as 19h30, no Caçarola Bistrô, na Rua de Nazareth, Centro Histórico, o livro Com o coração na boca, publicado pela Editora 7Letras. A obra será lançada dentro da programação do Sarau Vinil & Poesia, evento idealizado pela jornalista e DJ Vanessa Serra. No dia 30, o autor leva a nova obra ao Rio de Janeiro, em sessão de autógrafos na Livraria Janela.
O livro, que conta com prefácio do poeta Fernando Abreu, encerra uma trilogia iniciada com Filarmônica para fones de ouvido (2018) e seguida de Nas profundezas desses olhos rasos. Essa sequência, observa a crítica, pode ser lida como uma investigação poética dos sentidos: primeiro a escuta, depois o olhar e, agora, a boca, entendida como fronteira entre corpo e mundo.
Com mais de 80 poemas, Com o coração na boca apresenta uma arquitetura interna de ritmos e pulsos variados, alternando poemas longos e densos com textos mínimos, quase sentenças. Versos como “toda boca é um porto” (em Verbete) e “só a boca / subverte o fonema” (em Culta) apontam para essa dimensão da boca como geografia de travessia, de caos, de fome e de resistência.
A linguagem do livro oscila entre lirismo intenso e brutalidade seca, explorando tensões entre fragilidade e resistência. Em Anatomia de um tiro, por exemplo, o poeta escreve: “no olho da bala / ainda há meninos dançando ciranda”. Já em Da boca pra fora, um medo difuso e insólito emerge. O coloquial e o metafórico se entrelaçam em ritmo que remete, em certos momentos, a improvisações de jazz.



