Documentário “Minha perna, minha classe” terá lançamento e debate em São Paulo a partir deste sábado (18)

Nedilson Machado
Arturo Saboia (direção e roteiro) e Cássia Melo (produtora executiva) estarão em São Paulo, a partir deste sábado (18), para programação de lançamento e debate do documentário ) “Minha Perna, Minha Classe” (Fotos/Divulgação)

 

Agora com apoio da agência Via Mundo, há 23 anos realizando sonhos de  intercâmbio e turismo em São Luís, Arturo Saboia (direção e roteiro) e Cassia Melo (produtora executiva), vão lançar neste sábado (18), na Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana (SP), o documentário “Minha Perna, Minha Classe”.

O projeto tem patrocínio do Governo do Estado do Maranhão (SECMA) e do Grupo Mateus via Lei de Incentivo à Cultura e retrata o universo multifacetado do maranhense Manoel da Conceição (1935-2021), lavrador, camponês, ferreiro, educador, sindicalista, ambientalista, pensador da luta por igualdade e reforma agrária, líder político, que foi preso, mutilado, torturado e exilado pela ditadura.

Na programação em São Paulo, ainda consta um debate e exibição no auditório Milton Santos, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, no dia 20, para os alunos da universidade. No dia 22 de março, será disponibilizado ainda no YouTube.

O cineasta Arturo Saboia e a produtora Cassia Melo têm, no currículo, dentre outros prêmios, 6 Kikitos, no Festival de Gramado, pelo curta Acalanto (2013), o primeiro e já bem-sucedido trabalho da dupla. Para retratar a vida e luta desse líder incansável, a equipe se debruçou sobre pesquisas, entrevistas, depoimentos, documentos de época e visitas às locações marcantes da trajetória de Mané da Conceição, como era conhecido.

Sobre Manoel da Conceição

Subversivo indomável. Assim se definiu o próprio Manoel da Conceição (foto acima), em entrevista histórica ao jornal O Pasquim. Primogênito de um casal de lavradores, Manoel nasceu, em 1935, em Pedra Grande (MA). Manoel e sua família foram expulsos diversas vezes das terras que cultivavam.

Na década de 1950, com o apoio do Movimento de Educação de Base, o MEB do educador Paulo Freire, Manoel conseguiu se alfabetizar, se politizar e ter consciência da exploração e da injustiça do latifúndio. Em 1963, fundou e foi eleito presidente do primeiro sindicato de trabalhadores rurais do Maranhão, o Pindaré-Mirim. Com o golpe de 1964, o sindicato foi dissolvido e Manoel passou um mês preso, junto com outras lideranças. Em 1967, vincula-se à Ação Popular (AP) e, apesar da repressão, mantém o sindicato atuante. Em 1968, a Polícia Militar invadeo sindicato e Manoel é baleado no pé. Preso sem qualquer tratamento por uma semana, Manoel perde a perna direita gangrenada. Na época, o governo tentou silenciar Manoel, que respondeu: “Minha perna é minha classe”. O resto é história.

Sobre a ideia do projeto

“Tive a ideia de fazer este filme quando conheci Manoel da Conceição, há 20 anos, ao fazer uma pesquisa de locação. Foi um privilégio. Acabei viajando com ele por comunidades, assentamentos e aldeias no interior do Maranhão. Há 2 anos, em plena pandemia, resolvi transformar o sonho em realidade e chamei para o projeto um roteirista com esse olhar pungente, o cineasta maranhense Arturo Saboia, colega de longa data. E a ideia não é parar no documentário. A vida do Manoel rende uma série e precisa ser propagada, porque se funde com a própria história do país”, destaca a produtora Cassia Melo. Paulista de nascimento e publicitária de formação, Cassia começou sua carreira no audiovisual com o cineasta Fernando Meirelles, na O2 Filmes, e não parou mais. Há 20 anos, atrás das raízes paternas, se mudou para o Maranhão e fundou a Oito Projetos Criativos. A produtora é pioneira, em São Luís, em alavancar projetos culturais e esportivos por meio de leis de incentivo. E, agora, segundo ela, lança o projeto da sua vida.

Veja aqui o teaser da produção

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