Lucas Fernandes e Ana Carolina Rocha, da LK Cabelos, instalada em São Luís/ Venda de mega hair marca início da empresa LK Cabelos, na capital maranhense/ Glenda Cunha comanda a Clínica ABA Kids, negócio que une visão empreendedora e propósito (Fotos/Divulgação)
No estado, a maioria das empresas formais e ativos são pequenos negócios, entre os quais micro e pequenas empresas. Apoiadas pelo Sebrae, são as que mais geram empregos, renda e oportunidades
Há negócios que começam em uma sala de casa, com poucos recursos e muitas dúvidas. Outros nascem de uma necessidade percebida no mercado ou da vontade de oferecer um serviço que ainda não existe. Alguns crescem devagar; outros avançam mais, com novas unidades, funcionários e clientes em diferentes partes do país. Apesar das diferenças, eles têm algo em comum: fazem parte da força que move boa parte da economia maranhense.
Dados de agosto de 2026 mostram que o Maranhão possui 375.300 empreendimentos formais e ativos. Desse universo, 95,1% são pequenos negócios, incluindo negócios de todos os portes, como MEIs e grandes empreendimentos. Nesse conjunto se destacam as microempresas, que somam 151.041, correspondendo a 46,9% do total estadual, e as EPPs, que são 28.292, ou 8,8% do total geral. Juntas, as duas categorias representam 55,7% das empresas formais e ativas do estado.
E são justamente elas o motivo da celebração deste dia 5 de outubro – o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, criado como instrumento para valorizar os negócios que movem a economia do Brasil. A escolha da data também homenageia a criação do Estatuto da Microempresa em 1999 (Lei nº 9.841), sendo também conhecida como o Dia do Empreendedor.
Relevância Territorial – É uma presença que também se espalha pelo território da Grande Ilha. Em São Luís, são 49.187 microempresas e 8.202 empresas de pequeno porte. Em São José de Ribamar, elas representam, respectivamente, 36,4% e 5,2% dos negócios ativos. Já em Paço do Lumiar, as microempresas correspondem a 33,8% e as EPPs a 4%. E, no município de Raposa, correspondem a 39,8% e 7,2%, respectivamente, no universo total de negócios.
E não se trata apenas de quantidade, afinal são negócios que estão presentes na rotina do maranhense, a partir de atividades que geram toda a dinâmica econômica do estado. Entre os segmentos com maior densidade de micro e pequenas empresas, se destacam, no Maranhão, saúde e bem-estar; supermercados, hipermercados, minimercados e atacadistas de produtos alimentícios, bebidas e fumo; casa e construção; moda e confecção; logística e transporte; e educação.
Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, “fortalecer as micro e pequenas empresas e trabalhar para garantir o tratamento diferenciado e em favor do suporte que elas necessitam, significa estar ao lado das verdadeiras ‘gigantes’ da nossa economia: os negócios que geram oportunidades, emprego e renda para muitos maranhenses”.
Retratos do Maranhão que empreende: um negócio que começou em casa e ganhou o Brasil
A história da LK Cabelos, dos empresários Lucas Lima Cardoso Rocha Fernandes e Ana Carolina Braga Fernandes Lima Rocha, é um exemplo de como essas empresas contribuem para a economia.
A empresa começou em janeiro de 2023, quando o casal passou a vender cabelos brasileiros a partir de casa. Com o aumento da procura, veio a necessidade de um espaço físico. O primeiro endereço foi uma sala no Shopping da Ilha, onde o negócio passou também a trabalhar com aplicação de mega hair.
Depois vieram a personalização dos cabelos, uma nova sala e, posteriormente, um espaço maior no Calhau, onde hoje a empresa realiza praticamente todo o processo: desde a chegada do cabelo natural, passando pela descoloração e personalização, até a preparação e aplicação das diferentes técnicas de mega hair.
Após quatro anos de trajetória, a empresa chegou a uma equipe de dez pessoas. E o mercado ultrapassou as fronteiras do Maranhão. Segundo Lucas, cerca de 80% dos clientes hoje são de outros estados, incluindo salões que compram os produtos para revenda.
O crescimento também trouxe novos desafios. Lucas, que antes de empreender trabalhava como bancário, precisou aprender a lidar com gestão, liderança, desenvolvimento de pessoas e capacitação da equipe. Para o empresário, a preparação para administrar o negócio foi tão importante quanto o domínio técnico da atividade. A parceria com o Sebrae, segundo ele, tem sido fundamental para os avanços da empresa e para sua preparação para o futuro.
O próximo passo é ampliar ainda mais a presença da marca no mercado nacional. Hoje, a empresa atua tanto no atacado quanto no varejo e busca consolidar-se pela qualidade do atendimento e dos produtos. E busca, na capacitação e no aprimoramento da gestão, diferenciais para se tornarem ainda mais competitivos, contando com o apoio do Sebrae. Para isso, ele buscou apoio para a adequação de produtos a padrões técnicos, implantação de energia fotovoltaica e design de ambientes.
“Planejamento e gestão são os grandes desafios atualmente. Em nossa trajetória, o Sebrae aparece como um grande parceiro no desafio que é consolidar nosso negócio e fazer nossa empresa avançar ainda mais”, conta Lucas.
Quando empreender também tem a ver com propósito e inclusão
Na área da saúde, a trajetória da Clínica ABA KIDS mostra outro lado dos pequenos negócios: a capacidade de identificar uma necessidade e construir uma resposta a partir dela.
A empresa, comandada por Glenda Ribeiro Serra Cunha, trabalha com terapias infantis multidisciplinares, atendendo principalmente pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A história começou em 2020, quando uma operadora de plano de saúde procurou a empresária para credenciar o serviço de atendimento a portadores de TEA. Naquele momento, poucas clínicas atendiam a esses pacientes por meio de convênios, e Glenda identificou aí uma oportunidade de ampliar o acesso a um tratamento que muitas famílias tinham dificuldade de custear de forma particular.
O que começou com a empresária, uma secretária e alguns profissionais que acreditaram no projeto transformou-se, seis anos depois, em três unidades, com mais de 80 pessoas envolvidas entre funcionários, administração e prestadores de serviço. Hoje a clínica conta com mais de 70 terapeutas que atuam como profissionais liberais, garantindo atendimento regular e de qualidade.
Mas crescer também significa administrar desafios. No caso da clínica, um dos principais é conciliar os custos de uma operação especializada com os prazos de pagamento dos planos de saúde, que podem chegar a 90 ou 120 dias após a prestação do serviço.
A resposta tem sido investir em gestão, planejamento e qualificação. Ao longo dos anos, a empresa passou a trabalhar com supervisores por área, treinamentos e parcerias com instituições de ensino para ampliar a formação da equipe.
Para o futuro, o objetivo é manter as três unidades, preservar a qualidade do atendimento e continuar qualificando os profissionais, em um cenário que a empresária considera desafiador. Cliente do Sebrae, Glenda buscou no Sebraetec uma solução para o aperfeiçoamento gerencial necessário para os próximos passos, buscando consultoria para o controle e melhoria de processos.
“Trabalho e gestão eficiente tem sido os segredos para seguir em frente, mantendo o nosso propósito, profissionalismo e criando as condições para seguirmos avançando, rumo ao futuro”, planeja ela.
Pequenos negócios, efeitos em cadeia!
As duas histórias ajudam a dar rosto a um universo que também tem peso expressivo na geração de oportunidades no Maranhão e revelam avanços registrados no ambiente de atuação desses negócios, que tem no Sebrae um parceiro relevante há décadas. O entendimento é que, com apoio e o suporte adequado, micro e pequenas empresas podem contribuir de forma mais efetiva para fortalecer a economia maranhense, de forma sustentável e competitiva e inovadora.
Entre essas transformações geradas por pequenos negócios no Maranhão, particularmente pelas micro e pequenas empresas, está a confirmação da vocação desses empreendimentos para gerar empregos e dinamizar as economias territoriais. Eles respondem por mais de 67% das vagas de emprego geradas no estado no último ano. No primeiro semestre de 2026, o Maranhão registrou saldos positivos consecutivos no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantendo a participação relevante dos pequenos negócios na dinâmica do mercado de trabalho.
O empreendedorismo feminino também ocupa espaço importante nesse cenário. As mulheres lideram pouco mais de 42% dos negócios formais e ativos do Maranhão, considerando MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. Entre as ME e EPP, elas representam 56% dos líderes de negócios formais e ativos.
Outro movimento importante foi o avanço da formalização. Entre janeiro e agosto de 2026, os pequenos negócios foram responsáveis pela abertura de 56 mil novos negócios no Maranhão, distribuídos por atividades como saúde e bem-estar, alimentação, casa e construção, moda e confecção, logística, transporte e educação. Em 2025, o número total alcançou 63 mil novos negócios abertos.
Esse movimento vem acompanhado por mudanças no ambiente de negócios, como a simplificação e digitalização de processos de abertura de empresas e iniciativas voltadas à capacitação, inovação e melhoria da gestão.
Uma parceria que vem sendo construída há 54 anos
É nesse universo que o Sebrae atua há 54 anos, como parceiro das microempresas e empresas de pequeno porte do Maranhão. Ao longo dessa trajetória, a instituição trabalha em conjunto com governos estaduais e municipais, organizações privadas e entidades do terceiro setor, partindo do entendimento de que melhorar o ambiente de negócios é fundamental para fortalecer esses empreendimentos, que são partes decisivas nas estratégias de desenvolvimento do nosso estado.
A atuação passa por orientação, capacitação, estímulo à inovação, melhoria da gestão, acesso a mercados e articulação de parceiros, acompanhando empreendedores em diferentes momentos da jornada empresarial, abrangendo todas as regiões de planejamento do estado, onde se inserem 12 Unidades Regionais, mais de 180 Salas do Empreendedor e um expressivo número de Salas Parceiros Sebrae.
Nesse universo se destaca a luta histórica pela implantação da Lei Geral nos estados e municípios. Nesse quesito, o Maranhão também registra bons indicadores. Dos 217 municípios, hoje já são 196 com a Lei Geral implementada e o restante em tratativas avançadas, gerando frutos como o tratamento diferenciado nas compras públicas, que vem gerando mercado crescente para micro e pequenas empresas.
“Os pequenos negócios são a espinha dorsal da economia brasileira e do Maranhão. São os de maior número, os que mais geram empregos e produzem dinamismo e oportunidades. Fortalecer o empreendedorismo e apoiar esses negócios, a cada dia, se torna mais estratégico e necessário. Por isso mesmo, ao celebrar esta data, fazemos questão deste reconhecimento, reforçando o apoio às nossas micro e pequenas empresas e aos pequenos negócios de modo geral”, reforça o presidente Celso Gonçalo.
Uma pequena empresa nunca é apenas um negócio
Por trás de cada CNPJ existe uma história e muitos sonhos. Pode ser algo parecido com o exemplo de Lucas e Ana Carolina, de alguém que começou vendendo algo de casa e hoje atende clientes em outros estados. Ou de uma empreendedora que decidiu criar uma empresa para ampliar o acesso a um serviço essencial para muitas famílias. Pode ser a de alguém que encontrou no empreendedorismo uma fonte de renda ou um motivo para ter esperança. Ou, ainda, a de muitos maranhenses que transformaram seus sonhos e ideias em uma empresa, não sem luta. Mas sempre com coragem. No Maranhão, essas histórias se multiplicam por diferentes setores e territórios.
São negócios aparentemente pequenos no tamanho, mas que movimentam muito mais do que suas próprias estruturas: geram renda, criam oportunidades, contratam pessoas, compram de fornecedores, atendem consumidores e fazem a economia circular.
“Por isso é importante olhar para além dos números. Precisamos olhar além do tamanho das empresas e prestar atenção no impacto que elas produzem”, conclui o presidente do Sebrae Maranhão, Celso Gonçalo.




