De insetos a proteínas: inovação maranhense abre caminho para nova indústria

Nedilson Machado
Instalada no Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, em São Luís, biofábrica desenvolve produtos a partir de larvas e aposta na economia circular  (Foto/Divulgação)

Um pequeno inseto pode abrir caminho para uma nova cadeia industrial no Maranhão. Instalada no Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, em São Luís, a Biofábrica São Luís desenvolve uma tecnologia para transformar larvas do Tenebrio molitor, conhecido como larva-da-farinha, em proteínas alternativas, óleos e matérias-primas para diferentes segmentos industriais.

O projeto funciona no modelo de biorrefinaria, que permite aproveitar diferentes componentes da biomassa. A farinha proteica pode ser utilizada em alimentos funcionais e suplementos esportivos, enquanto o óleo apresenta potencial de aplicação nas indústrias alimentícia e nutracêutica. Outros derivados, como quitina e quitosana, abrem possibilidades para a fabricação de bioplásticos, bioinsumos agrícolas e materiais biodegradáveis.

A tecnologia já se encontra na fase de protótipo funcional e validação em escala piloto, com produção de farinha proteica, óleo e coprodutos. A empresa também comercializa tenébrios vivos.

Inovação e parcerias

Um dos diferenciais do projeto é a integração com outras empresas instaladas no ecossistema de inovação do SENAI Maranhão. A proposta é aproveitar resíduos da indústria alimentícia como insumos para a criação dos insetos, reduzindo desperdícios e gerando novas oportunidades de negócios.

Segundo Cláudio Urbano, sócio da Biofábrica São Luís, já foram identificadas possibilidades de parceria com três empresas: Cervejaria Dona, Acerolima e Sabor da Ilha.

“Já identificamos afinidade com pelo menos três iniciativas do ecossistema”, afirma o empresário.

Na prática, resíduos da produção de cerveja artesanal, além de bagaços e cascas de frutas utilizados na fabricação de polpas e geleias, podem servir de alimento ou suplementação para os insetos.

A iniciativa segue os princípios da economia circular, na qual materiais que seriam descartados por uma indústria passam a integrar o processo produtivo de outra.

Do laboratório ao mercado

Criado pelo SENAI Maranhão, o Hub SENAI de Inovação e Tecnologia reúne startups, indústrias, pesquisadores e instituições parceiras em um ambiente voltado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.

A estrutura oferece laboratórios, espaços de experimentação, prototipagem e apoio à inovação, contribuindo para que projetos em fase experimental avancem em direção à escala industrial.

Para Cláudio Urbano, o acesso à infraestrutura do SENAI e a troca de experiências com outras empresas representam oportunidades importantes para o amadurecimento da tecnologia e a ampliação das possibilidades comerciais.

O próximo desafio da Biofábrica é consolidar a produção, validar aplicações industriais e ampliar o aproveitamento econômico dos derivados dos insetos.

Embora ainda represente um segmento emergente diante das cadeias tradicionais de proteína animal, a criação de insetos ganha espaço como alternativa associada à bioeconomia e ao uso mais eficiente de recursos.

No Maranhão, a aposta é transformar uma tecnologia desenvolvida em escala piloto em um negócio industrial, conectando inovação, sustentabilidade e geração de valor a partir de materiais antes destinados ao descarte.

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