Em seu ateliê, o artista maranhense José Jorge Soares dá vida às cores, às máscaras e aos personagens da cultura popular do Maranhão, inspiração para a exposição Folia de Máscaras, que levará a Lisboa a expressividade do Fofão e do Cazumbá em sua primeira mostra internacional (Fotos/Divulgação)
As cores, as máscaras e a riqueza das manifestações populares do Maranhão atravessam o Atlântico para conquistar espaço em Lisboa. No dia 3 de novembro, o artista maranhense José Jorge Soares inaugura, na Galeria Verso, na capital portuguesa, a exposição Folia de Máscaras, sua quarta mostra individual e a primeira realizada fora do Brasil. A visitação pública ocorrerá de 17 de novembro a 1º de dezembro.
Composta por 16 telas, a exposição reúne obras produzidas ao longo de um ano e dois meses de trabalho, tendo como protagonistas dois personagens emblemáticos da cultura popular maranhense: o Fofão, figura irreverente e misteriosa do Carnaval de São Luís, e o Cazumbá, personagem marcante do Bumba Meu Boi, conhecido por suas máscaras expressivas e sua presença cênica nos grupos da manifestação cultural.
Ao reunir essas duas figuras em uma mesma narrativa visual, José Jorge estabelece um diálogo entre diferentes expressões da cultura maranhense. As máscaras funcionam como elo entre o universo carnavalesco do Fofão e a força simbólica do Cazumbá, compondo uma leitura artística sobre identidade, memória e pertencimento.
Para dar vida às obras, o artista combina aquarela e ecoline, técnicas que exploram a transparência, a fluidez e a intensidade cromática. Enquanto a aquarela permite criar camadas delicadas e efeitos de luz por meio da diluição dos pigmentos em água, a ecoline, tinta líquida de cores intensas, amplia os contrastes e a vivacidade das composições. O resultado é uma linguagem visual que traduz para as telas a energia, o movimento e a atmosfera das festas populares maranhenses.
“Esta exposição nasce do desejo de mostrar um pouco da riqueza da nossa cultura por meio de personagens que carregam identidade, história e memória. Levar esse trabalho para Lisboa tem um significado muito especial, porque é também uma oportunidade de apresentar o Maranhão a novos públicos por meio da arte”, destaca José Jorge Soares.
Uma relação com a arte iniciada na adolescência
A trajetória artística de José Jorge começou cedo. Aos 12 anos, quando estudava no Colégio Pinheirense, em Pinheiro, no interior do Maranhão, teve seus primeiros contatos mais próximos com a arte, influenciado por professores italianos que despertaram seu interesse pelo desenho, pelas cores e pela expressão artística.
Essa aproximação permaneceu ao longo da vida e ultrapassou os limites de sua produção autoral. Em São Luís, o artista mantém uma relação próxima com a cultura popular, apoiando e incentivando manifestações culturais e iniciativas voltadas à preservação e à valorização das tradições maranhenses.
Com Folia de Máscaras, José Jorge inaugura um novo capítulo dessa trajetória. Depois de três exposições individuais no Brasil, chega à primeira mostra internacional levando a Portugal uma produção profundamente conectada às raízes culturais de seu estado.
São Luís e Lisboa: um encontro entre história e cultura
A escolha de Lisboa para a estreia internacional acrescenta uma dimensão simbólica ao projeto. Fundada por franceses no século XVII, São Luís desenvolveu, ao longo de sua história, fortes influências portuguesas, visíveis no patrimônio arquitetônico, nos casarões coloniais e nos azulejos que marcam a paisagem do Centro Histórico.
Ao apresentar suas obras na capital portuguesa, José Jorge promove simbolicamente um encontro entre essas referências históricas e a cultura popular contemporânea do Maranhão. Desta vez, o percurso se inverte: são as cores, os personagens, as máscaras e a identidade maranhense que cruzam o oceano para se apresentar ao público europeu.
“Quero que as pessoas que visitarem a exposição sintam curiosidade pelo Maranhão, por São Luís e pelas nossas manifestações culturais. O Fofão e o Cazumbá têm uma força visual extraordinária e contam muito sobre quem somos. É uma alegria poder apresentá-los em Lisboa a partir do meu olhar e das minhas cores”, afirma o artista.
Mais do que reunir 16 obras, Folia de Máscaras propõe uma janela para a cultura maranhense, destacando a diversidade, a criatividade e a força simbólica de personagens que atravessam gerações e permanecem vivos no imaginário popular. A exposição também amplia as possibilidades de circulação internacional da arte produzida no Maranhão, aproximando novos públicos de suas tradições e referências culturais.
O projeto tem patrocínio do Governo do Estado, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e do Centro Elétrico, com apoio do Ceuma, Fecomércio, Sesc/Senac e Granorte Soluções em Brita. A realização é da Oito Projetos, sob direção executiva de Cássia Melo, que celebra 25 anos de atuação profissional e tem no projeto internacional um marco de sua trajetória. Em Lisboa, a curadoria e a produção executiva estão a cargo das artistas plásticas Helô Plantier e Carolina Antony. A abertura contará ainda com a presença do ator Marcelo Antony.




