No encontro, promovido pela FIEMA e CIEMA, a EMAP apresentou desafios e possibilidades de negócios (FOTO Sistema FIEMA)
Processar grãos no Maranhão, ampliar a oferta de fertilizantes, desenvolver biocombustíveis e fornecer equipamentos e serviços para a atividade portuária. Essas foram algumas das janelas de oportunidade apresentadas na sexta edição do “Conhecendo a Indústria”, realizada na quarta-feira (30), na Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA). Promovido pelo Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (CIEMA), o encontro teve como foco o Porto do Itaqui e a economia do mar. A programação marcou o primeiro evento oficial da segunda etapa do Inova Indústria, parceria entre FIEMA e Sebrae.
A gerente de Planejamento e Negócios da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), Luciana Kuzolitz, conduziu a palestra “Pensando o Porto do Itaqui Estrategicamente: desafios e janelas de oportunidade”. Ela apresentou possibilidades de negócios que abrangem a produção industrial, o transporte, a armazenagem e os serviços. “O porto é um ecossistema logístico industrial”, afirmou. Na agroindústria, as oportunidades incluem esmagamento de grãos, produção de óleos e farelos, alimentação animal e processamento de alimentos. A proposta é agregar valor à produção antes de destiná-la aos mercados, com conexões entre agricultura, indústria e logística.
DIVERSIFICAÇÃO DE CARGA – Luciana citou a produção de etanol de milho como exemplo de mudança nas cadeias produtivas e nas cargas do porto. O uso do cereal pela indústria no Maranhão reduz o volume disponível para exportação, mas gera produtos como o DDGS, coproduto da fabricação de etanol destinado à alimentação animal. Segundo ela, o Itaqui prevê para novembro um embarque de teste de 30 mil toneladas desse produto.
A apresentação também apontou espaço para mistura e formulação de fertilizantes, armazenagem e distribuição. Na cadeia de proteína animal, as possibilidades abrangem ainda processamento, frigorificação, transporte sob refrigeração e exportação em contêineres. Esses negócios podem conectar a oferta de insumos e ração à produção de alimentos.
Na mineração e na indústria de base, Luciana apresentou oportunidades em processamento mineral, metalurgia, ferro de baixo carbono, moagem de cimento e argila calcinada. Na área de energia, destacou armazenagem e distribuição de combustíveis, biocombustíveis e abastecimento de embarcações, além de possibilidades relacionadas a gás natural liquefeito, hidrogênio, amônia e metanol.
A diversificação de cargas também abre espaço para produtos florestais, papel e derivados, biomassa e bioprodutos. A apresentação relacionou essas possibilidades ao desenvolvimento de linhas de contêineres, cabotagem e serviços de logística industrial. Um terminal de contêineres integra o portfólio de projetos em estudo apresentado pela EMAP, administradora do Porto do Itaqui.
ECOSSISTEMA LOGÍSTICO INDUSTRIAL – As janelas de oportunidade alcançam ainda as empresas que constroem, mantêm e abastecem a estrutura portuária. Entre as demandas estão projetos de engenharia, obras, equipamentos e componentes metalmecânicos, manutenção, transporte, sistemas de informação, automação, soluções ambientais e capacitação profissional.
Nesse campo, a EMAP apresentou investimentos atuais e previstos em ampliação e recuperação de berços, edificações, infraestrutura elétrica, energia solar e modernização de tecnologia. O conjunto inclui expansão do centro de dados, automação, controle de acesso e proteção de informações, áreas que demandam fornecedores de produtos e serviços.
Luciana também destacou a relação entre a expansão ferroviária e o alcance econômico do porto. Investimentos em capacidade de transporte, vagões, armazéns e polos de concentração de cargas ao longo das ferrovias podem ampliar o acesso à produção e melhorar as condições de escoamento. A análise considerou desafios como custos dos fretes, mudanças nas regras do comércio e efeitos do clima sobre as cadeias produtivas.
Para Celso Gonçalo, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-MA e vice-presidente executivo da FIEMA, a aproximação entre o setor produtivo e a EMAP pode gerar parcerias e novas oportunidades. Ele relacionou essa articulação à expansão dos negócios industriais e à exportação de produtos com maior valor agregado. César Miranda, superintendente da FIEMA, destacou o papel do Inova Indústria na conexão entre entidades, poder público e empresários. Segundo ele, o encontro busca aproximar as empresas das possibilidades de negócios para que elas tenham conhecimento dessas oportunidades.
Durante a programação, a presidente da EMAP, Oquerlina Costa, recebeu uma homenagem pela contribuição ao desenvolvimento regional e pela parceria com CIEMA e FIEMA. Celso Gonçalo entregou a placa, como representante do presidente do CIEMA, Cláudio Azevedo.




