Os especialistas que debateram o tema: Edmilson Pires (Sinduscon-MA), José Carlos Martins e Fernando Guedes (CBIC)/ Evento do Sinduscon-MA reuniu empresários maranhenses da Construção Civil para discutir Reforma Tributária (Fotos/Divulgação)
Imersão promovida pelo SINDUSCON-MA e Inova Indústria reuniu empresários em São Luís para discutir efeitos sobre preços, compras, fornecedores, industrialização e fluxo de caixa
A Reforma Tributária deve provocar mudanças que vão além da área fiscal e alcançar decisões sobre compras, fornecedores, formação de preços, industrialização, sistemas e fluxo de caixa das empresas do setor da Construção Civil. Esse foi o eixo da imersão “Reforma Tributária e o Mercado da Construção – Mapa Estratégico para Incorporadores e Construtoras”, realizada na quinta-feira (24), no Auditório da Fecomércio, em São Luís. Nas apresentações “Estratégia da empresa a partir da reforma” e “A jornada da incorporação, do produto ao pós-obra”, os especialistas Fernando Guedes e José Carlos Martins discutiram como as novas regras podem interferir nas decisões empresariais ao longo do ciclo dos empreendimentos.
Promovido pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Maranhão (SINDUSCON-MA) e pelo projeto Inova Indústria, com correalização da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e da Fecomércio, o encontro reuniu aproximadamente 40 empresários e gestores do setor. Durante a programação, os participantes apresentaram dúvidas e discutiram situações práticas com os especialistas Fernando Guedes, presidente executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC.
Para o diretor da FIEMA e vice-presidente do SINDUSCON-MA, Edmilson Pires, a mudança exige atenção porque interfere na própria estrutura dos negócios. “Não é apenas uma questão meramente fiscal ou tributária, mas altera a forma de negócio de uma maneira geral em todos os segmentos da Construção”, afirmou. Segundo ele, a discussão envolve o mercado imobiliário, obras industriais, corporativas e públicas.
DECISÕES EMPRESARIAIS – Fernando Guedes, que também é advogado, afirmou que a adaptação ao novo sistema exigirá decisões que não são exclusivamente tributárias. Entre elas estão o modelo de construção, o nível de terceirização, a contratação de empreiteiros e a programação de vendas. “A implementação do novo modelo demanda do empresário uma série de decisões que não são necessariamente tributárias, são decisões de negócio”, disse.
Guedes destacou ainda a necessidade de atualização dos sistemas utilizados pelas empresas e de capacitação das equipes. Para ele, áreas como compras e suprimentos terão papel estratégico na nova dinâmica. “Não é somente o corretor, o financeiro, o jurídico e a parte fiscal, mas o pessoal de suprimentos também”, afirmou.
Segundo o executivo da CBIC, a entidade acompanha a regulamentação da Reforma Tributária junto a outras instituições e à Receita Federal, incluindo questões relacionadas à emissão de notas fiscais e aos documentos que deverão ser utilizados pelas construtoras.
COMPRAS, CRÉDITOS E FLUXO DE CAIXA – Já José Carlos Martins destacou que a Reforma Tributária altera a lógica de decisões ao longo da jornada da incorporação, desde a definição do produto até o pós-obra. Segundo ele, a passagem de uma tributação baseada no faturamento para uma lógica relacionada ao valor agregado pode alterar decisões empresariais, inclusive porque situações que antes geravam bitributação podem deixar de produzir esse efeito.
Outro ponto abordado foi a industrialização da Construção. Martins afirmou que o aproveitamento de créditos tributários pode modificar a comparação entre produzir diretamente na obra e utilizar produtos industrializados. “Agora, esse produto pode custar mais caro inicialmente, mas esse crédito de tributo irá compensar esse acréscimo de preço”, afirmou.
Para Martins, a possibilidade de ampliar a industrialização também pode contribuir para ganhos de produtividade em um setor que enfrenta dificuldades relacionadas à disponibilidade de mão de obra. O especialista ressaltou, porém, que o período de transição exige planejamento. “É uma época muito difícil porque o empresário precisa entender o que está mudando para poder tomar as decisões”, disse.
EMPRESÁRIOS FAZEM CONTAS – A necessidade de avaliar cada empresa de acordo com suas características foi destacada por Kleiber Fontes, diretor financeiro e administrativo do Grupo Canopus, que participou do evento. Para ele, a mudança terá efeitos diferentes conforme o segmento e a estrutura de cada negócio. “Todo mundo vai ter que fazer conta”, afirmou.
Fontes citou como exemplo a relação entre terceirização e mão de obra própria, além da importância de conhecer a situação tributária de fornecedores e prestadores de serviços. Na avaliação dele, as empresas precisarão preparar sistemas, equipes e processos antes da implementação das novas regras. “Façam conta, chamem o seu contador e o time de suprimentos, porque vocês vão ter que conhecer todos os seus fornecedores e prestadores de serviços”, aconselhou.
Para Lívia Viana, responsável técnica da PredMix, indústria de pré-moldados que atua há 15 anos no Maranhão, o desafio está em transformar o conhecimento sobre a Reforma Tributária em mudanças concretas na operação. “O maior desafio vai ser a gente conseguir implementar processos bem definidos, pessoas treinadas com muito critério para selecionar esses fornecedores e uma tecnologia que nos ajude cada vez mais para que esse processo flua com menos pressão e com mais segurança”, avaliou.
MERCADO IMOBILIÁRIO – Durante o evento, a GeoBrain apresentou um panorama das obras e do mercado imobiliário de São Luís e Região Metropolitana. Os dados mostram crescimento dos lançamentos no período recente. No acumulado de 12 meses até junho de 2026, o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado vertical cresceu 57% em relação aos 12 meses anteriores. O número de unidades verticais lançadas aumentou 47% no mesmo intervalo.
O comportamento das vendas, entretanto, foi diferente: o VGV vendido vertical recuou 9% no comparativo do segundo trimestre de 2025 com o mesmo período de 2026, enquanto as unidades verticais vendidas caíram 23%. Os dados foram apresentados no contexto das discussões sobre planejamento e tomada de decisão, tema central da imersão.
Para Edmilson Pires, diretor da FIEMA e vice-presidente do SINDUSCON-MA, reunir empresários e especialistas em um momento de transição permite antecipar a discussão sobre os efeitos da mudança. “Estamos bastante atentos nesse momento”, afirmou.
O Inova Indústria, correalizador do encontro, é um projeto da FIEMA em parceria institucional com o Sebrae Maranhão voltado ao fortalecimento da competitividade e da inovação dos pequenos negócios industriais no estado.




