São Luís, 414 anos: uma cidade que se transforma pela força do empreendedorismo

Nedilson Machado
São Luís: 414 anos de uma cidade movida pelo empreendedorismo e por sua gente empreendedora / Ekles Aguiar: “a força do empreendedorismo vem transformando São Luís dia a dia”/ Dallin Reis: “empreender é um desafio que ajuda a construir um futuro possível para todos”/ Paulo Gustavo: “com apoio e políticas eficientes, os pequenos negócios seguirão fazendo a diferença na nossa cidade” (Fotos/Divulgação)

Na capital maranhense, mais de 103 mil pequenos negócios movimentam a economia e ajudam a escrever, todos os dias, os novos capítulos da história da Ilha do Amor!

São Luís nasceu cercada de mar, atravessada por histórias e moldada no encontro de diferentes povos, culturas e sonhos. Mais de quatro séculos depois de fundação, a capital maranhense continua sendo uma cidade que se transforma a cada virada no calendário, mas sem perder a essência e suas tradições.

Entre casarões seculares e novos empreendimentos, entre o comércio das ruas e de centros comerciais emergentes e entre serviços que se multiplicam pelos bairros, movimentando a cidade inteira, existe uma força que ajuda a sustentar o presente – a garra de quem empreende, que dá novos tons ao futuro que se desenha para a Capital dos Azulejos.

No aniversário de São Luís, celebrado neste dia 8 de setembro, números ajudam a dimensionar essa potência. Levantamento do Sebrae, com dados de 4 de setembro de 2026, aponta 103.711 pequenos negócios formais e ativos em São Luís. São 46.513 Microempreendedores Individuais (MEIs), 49.048 microempresas e 8.048 empresas de pequeno porte. Esse universo corresponde a 32,51% do total de negócios formais e ativos registrados no Maranhão.

Mais do que números, são portas que se abrem todos os dias, serviços que chegam à população, produtos que circulam, empregos e oportunidades que nascem, crescem e se consolidam. Mas também são histórias de gente acostumada a lutar, que aprendeu a transformar uma ideia em negócio e um negócio em projeto de vida.

É uma economia que tem muitos rostos e ocupa muitos lugares da cidade. Com uma população estimada em 1,9 milhão de pessoas, São Luís tem os pequenos negócios como presença relevante praticamente em todos os territórios, com uma ampla diversidade de atividades. O setor de Serviços lidera com 58.077 empresas formais e ativas; em seguida vem o Comércio, com 32.685; depois aparece a Construção civil, reunindo 5.976 negócios; a indústria, com 6.766; e agropecuária, com 207.

Há 54 anos, o Sebrae caminha ao lado desses empreendedores, apoiando o  desenvolvimento econômico da capital. Para Celso Gonçalo, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Maranhão, essa parceria representa uma forma de acreditar no potencial transformador dos negócios que formam a base da economia. “O melhor presente para a nossa capital é celebrarmos a sua gente que empreende, e a cidade construída — todos os dias — por quem acredita que ainda há muito por fazer, criar e transformar. Viva São Luís nos seus 414 anos!”, celebra o executivo.

Pelas esquinas e vidas, uma cidade de muitos negócios

A diversidade também aparece quando se observa os segmentos que concentram pequenos mais negócios na capital. Saúde e bem-estar estão no topo, com 14.874 empresas, seguidos por Casa e Construção, com 10.940; Logística e Transporte, com 8.815; Serviços de Alimentação, com 7.817; e Moda e Confecção, com 7.784. Juntos, os cinco segmentos somam 50.230 empresas, representando quase metade de todos os pequenos negócios ativos de São Luís.

Na cidade com vocação empreendedora, os segmentos com maior número de pequenos negócios são a educação, serviços de tecnologia, turismo, eventos, cultura, entretenimento, marketing, serviços especializados no ramo da saúde, agroindústria e tantos outros setores, que fazem parte de um traçado econômico que se transforma conforme mudam os hábitos, os tempos, os desejos e as necessidades de quem vive na capital.

Oportunidades que se espalham para além do Rio Anil – Essa economia também tem endereço — ou melhor, muitos endereços. Os 20 bairros com maior concentração de pequenos negócios reúnem 46.682 empresas, cerca de 45% da base. Renascença, Turu, Centro, Calhau e Cidade Operária aparecem entre os primeiros colocados. Mas o dado que mais chama atenção talvez esteja justamente fora desse ranking: 55% dos pequenos negócios estão distribuídos pelos demais bairros da capital, revelando uma atividade empresarial que com bastante capilaridade, espalhada pelo território, fazendo parte de modo ativo da vida cotidiana das diferentes comunidades.

Desafios para empreender em uma cidade de oportunidades

Por trás dos números, uma decisão unifica as histórias de quem empreende na Atenas Brasileira, a capital brasileira do Reggae. Abrir as portas e dar os primeiros passos. Desta decisão, derivam muitas outras: contratar mais pessoas, investir, mudar de endereço, lançar um produto, apostar em um novo nicho, se reinventar e até recomeçar, se for preciso. E, algumas delas encontram no Sebrae uma parceria que já dura 54 anos, servindo de impulso em cada etapa da desafiadora jornada do empreendedor.

São diferentes olhares para uma mesma cidade. E talvez esteja justamente aí uma das maiores riquezas de São Luís: a capacidade de abrigar diferentes formas de empreender, produzir, criar e prosperar, que se revelam na caminhada de muitos empreendedores que têm o Sebrae entrelaçado às suas trajetórias.

Para quem empreende, entretanto, transformar o potencial da cidade em um negócio sustentável exige preparo. É o que observa Dallin Reis, da Reis Consultoria, para quem “crescer exige muito mais do que uma boa ideia ou capacidade de vender”, diz ela. Gestão, processos, formação de equipes e profissionalização são, na opinião da empreendedora, elementos fundamentais para que o negócio avance. Em São Luís, avalia, “ainda há desafios relacionados à qualificação da mão de obra, à gestão e à conexão entre empresas e o mercado. O que não muda é a vontade que nos faz seguir em frente”, completa Dallin Reis.

Para quem está começando, o desafio também passa pela capacidade de tomar decisões em um ambiente cada vez mais complexo. Dono de uma trajetória respeitável, o jornalista Adalberto Melo vivencia os primeiros passos como empreendedor e destaca a importância de ter informação e orientação para escolher os melhores caminhos. Para ele, “o apoio do Sebrae aumenta as chances de acertar e reduz os riscos de quem está dando os primeiros passos. É fundamental começar certo, apoiado por quem sabe!, completa ele.

Já Ekles Aguiar, do Açaí Sunset, chama atenção para um cenário em que o menor poder de compra do consumidor e as exigências do mercado aumentam a pressão sobre os negócios. Segundo ele, “quando a competição se concentra excessivamente em preço, as margens se reduzem e pode haver impacto também na qualidade dos produtos e serviços oferecidos”. “O empreendedor precisa estar atento ao cenário externo, a questão tributária pesa muito, mas também é necessário preocupar-se com o ambiente interno da empresa e com a inovação, justamente para se diferenciar”, reflete ele.

Crédito e orientação – Outro desafio apontado pelos empreendedores é o acesso ao crédito, normalmente tido como um obstáculo para quem quer ter um negócio. Para o presidente da Agência Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (AMDES), Felipe Mussalém, é preciso uma política permanente de acesso ao crédito, mas não basta disponibilizar recursos. “É necessário preparar o empreendedor para utilizá-los de maneira consciente e estratégica”, avalia ele, que destaca ainda o trabalho do Sebrae e o suporte das Salas do Empreendedor como espaços de orientação aos pequenos negócios de São Luís. “As Salas do Empreendedor têm tido um papel decisivo nessa rede de parcerias formada pelo Sebrae, que asseguram o melhor suporte ao empreendedor em sua jornada”, destaca.

Muito além do crédito, a gestão e os controles são fundamentais para quem empreende. Principalmente para o pequeno. Paulo Gustavo, da Nutbox Castanhas, considera que, sem ajuda de parceiros como o Sebrae e de políticas de apoio ao empreendedor, a sobrevivência é difícil. “Sem contar com a ajuda de instituições como o Sebrae, sem alternativas para chegar ao mercado, o empreendedor corre o risco de não sobreviver aos desafios, que são muitos”, destaca ele.

Uma cidade que olha para o futuro

São Luís carrega no patrimônio histórico a marca de uma cidade singular. Fundada por franceses em 1612, é a única capital brasileira com esse diferencial. Seu Centro Histórico, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1997, guarda parte do acervo da colonização portuguesa. Mas a cidade não vive apenas de memória.

Sua posição estratégica, o Complexo Portuário do Itaqui, a atividade industrial, os serviços, o comércio, o turismo e a economia criativa ajudam a formar um tecido econômico dinâmico, com relevância na economia estadual.

É nesse cenário que o empreendedorismo ganha uma dimensão ainda maior. Cada pequeno negócio ajuda a movimentar uma engrenagem que ultrapassa fronteiras. Quando uma pequena empresa abre e cresce, novos postos de trabalho vão surgindo. Quando um artesão transforma seus saberes em produtos, a cultura se fortalece e o mercado ganha produtos com identidade, assim como quando uma startup cria uma solução, a cidade se conecta ao futuro.

É por isso que na São Luís de hoje, uma parte importante da história continua sendo escrita agora — nas mãos de quem empreende, por entre pontes e avenidas, horizontes e oportunidades.

A cidade que se desenha no contorno desses horizontes não é feita somente por prédios, ruas, praças e monumentos. É feita por gente, que acorda cedo, abre suas lojas, gente que atende o cliente, cria e inventa, constrói, produz e vende, entrega e, muitas vezes recomeça, para inventar caminhos.

“Parceiro do desenvolvimento de São Luís e dos pequenos negócios, o Sebrae celebra a data, reforçando a crença nesses novos horizontes e na força do empreendedor ludovicense”, conclui o presidente do CDE Sebrae, Celso Gonçalo.

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