A jornalista e escritora maranhense Andréa Oliveira lança o livro Maria Firmina, a mestra da liberdade, que resgata a trajetória e o legado da autora de Úrsula, pioneira da literatura abolicionista e da educação no Brasil (Fotos/Divulgação)
A trajetória de uma das mais importantes escritoras negras brasileiras ganha novas cores e perspectivas em “Maria Firmina, a mestra da liberdade”, livro da jornalista e escritora maranhense Andréa Oliveira, publicado pela L&PM Editores. O lançamento será realizado no dia 12 de setembro, sábado, às 16h, na Livraria Leitura do Shopping São Luís, com bate-papo mediado pela arte-educadora Betânia Pinheiro, seguido de sessão de autógrafos.
Em uma narrativa romanceada e acessível, a obra apresenta a trajetória de Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula, considerada uma obra pioneira da literatura abolicionista brasileira e apontada como o primeiro romance publicado no país por uma pessoa negra. O livro acompanha a história de uma mulher que enfrentou as barreiras impostas pelo racismo e pelo machismo por meio da educação, da literatura e da resistência.
Nascida no Maranhão, Maria Firmina cresceu em uma família matriarcal e, sem acesso à educação formal, tornou-se autodidata por meio da dedicação aos estudos e aos livros. Em 1847, foi aprovada em concurso público para o cargo de professora no Maranhão, tornando-se pioneira na atuação feminina no magistério público. Anos depois, fundou uma escola mista, experiência inovadora que reunia meninos e meninas de diferentes condições sociais.
Uma história também contada pelas imagens
Com ilustrações da artista gaúcha Mitti Mendonça, cuja produção tem forte diálogo com a ancestralidade africana, o livro incorpora documentos históricos, entre eles reproduções fac-símiles da primeira edição de Úrsula e de jornais maranhenses publicados após a abolição da escravatura.
A concepção visual da publicação também estabelece um diálogo com uma das grandes lacunas da trajetória de Maria Firmina: não há registros conhecidos de seu rosto. A capa e as ilustrações, portanto, fazem referência à invisibilização histórica da autora e à reconstrução de sua memória a partir de sua obra, de sua trajetória e de seu legado.
Andréa Oliveira
Natural de São Luís, Andréa Oliveira é jornalista e escritora. Entre suas obras estão os livros infantojuvenis João, o menino cantador (Pitomba!, 2017), sobre o compositor maranhense João do Vale, e Maria Firmina, a menina abolicionista (Vento Leste, 2022).
Com o novo livro, a autora amplia sua pesquisa e sua produção dedicada a personagens importantes da história e da cultura maranhenses, apresentando Maria Firmina dos Reis a uma nova geração de leitores.
Mitti Mendonça
Nascida em São Leopoldo (RS), Mitti Mendonça é artista têxtil, ilustradora e produtora cultural. Sua produção tem como eixo a ancestralidade afro-diaspórica e aborda memórias afetivas, personalidades, cultura e movimentos sociais e políticos negros.
A artista trabalha com técnicas como colagem, arte digital, bordado e pintura. Suas obras já integraram exposições coletivas como “Dignidade e Luta: Laudelina Campos de Mello”, no Instituto Moreira Salles, em 2025, e “Presença Negra”, no Margs, em 2022.




