Apaixonada pelo Botafogo, Maria Izabel Rodrigues revela, nesta imagem, um pouco da sua alegria e personalidade marcante — uma lembrança carinhosa da educadora que deixa saudades e um legado de gerações(Foto/Instagram)
Aos 95 anos, morre em São Luís a fundadora do Colégio Dom Bosco e da UNDB; professora deixa como legado gerações de alunos, uma história de dedicação ao ensino e um último desejo que agora emociona seus antigos estudantes
A educação maranhense perdeu nesta quinta-feira (27) uma de suas personagens mais emblemáticas. Aos 95 anos, morreu em São Luís a professora Maria Izabel Pereira Rodrigues, fundadora do Colégio Dom Bosco e uma das mulheres responsáveis pela construção de uma trajetória educacional que atravessou gerações e se consolidou como referência no Maranhão.
Mais do que registrar a partida de uma educadora, a notícia convida a recordar uma história iniciada ainda em 1958, quando Maria Izabel, ao lado da professora Maria de Lourdes Aroso Mendes, deu os primeiros passos do que viria a se transformar no Grupo Educacional Dom Bosco. O começo foi modesto: um pequeno jardim de infância voltado para cerca de 30 crianças. Ao longo das décadas, entretanto, aquele projeto cresceu, ganhou novas dimensões e passou a integrar a vida de milhares de famílias maranhenses.
Uma mulher, muitas gerações
A história de Maria Izabel está diretamente ligada à história do Colégio Dom Bosco, instituição que durante décadas funcionou no tradicional casarão da Rua do Passeio, no Centro de São Luís, endereço que permanece na memória afetiva de sucessivas gerações de estudantes.
Foi naquele espaço que muitos maranhenses viveram os primeiros anos de sua formação escolar, fizeram amizades, descobriram vocações e construíram lembranças que permaneceram pela vida inteira.
A dimensão desse legado pode ser percebida também pela própria trajetória familiar. A obra educacional iniciada por Maria Izabel passou às gerações seguintes e chegou à gestão de suas filhas e netos, consolidando uma experiência de educação familiar construída ao longo de quase sete décadas.
Em 2018, durante as comemorações pelos 60 anos do Colégio Dom Bosco, a diretora Ceres Murad destacou justamente essa continuidade de gerações dentro da instituição, com a presença da fundadora, das filhas e dos netos na condução da história construída pela família.
O antigo casarão que agora guarda a memória do Dom Bosco
E é justamente nesse capítulo da história que surge um dos mais significativos legados deixados por Maria Izabel.
O antigo prédio do Colégio Dom Bosco na Rua do Passeio passou por um processo de restauração e foi preparado para abrigar o Memorial Dom Bosco, espaço concebido para preservar documentos, objetos, fotografias e lembranças da instituição e de sua trajetória na educação de São Luís.
A iniciativa ganhou ainda um significado especial por ter sido pensada como uma homenagem à própria fundadora. O casarão, que durante tantos anos recebeu alunos, professores e famílias, deverá agora se transformar em um lugar permanente de memória.
A proposta é preservar não apenas a história do colégio, mas também parte da própria história da educação privada de São Luís e das muitas gerações que ajudaram a construir essa trajetória.
A abertura oficial do Memorial ao público deverá acontecer em breve. A data definitiva para a inauguração da exposição do acervo ainda não foi divulgada.
“A Flor”: o pedido que emocionou os alunos
Mas talvez nenhum registro traduza tão delicadamente a personalidade de Maria Izabel quanto um texto que ela própria escreveu.
Em março de 2020, a professora escreveu “A Flor”, crônica publicada posteriormente em seu livro de memórias, “Tenho pra mim”.
Na obra, ela recorda a emoção que sentia ao receber flores de seus alunos em seus aniversários. Eram gestos simples, mas que, para ela, representavam o reconhecimento de uma vida inteira dedicada à educação.
E foi nesse mesmo texto que Maria Izabel deixou registrado um pedido para o dia de sua despedida: que seus antigos alunos não levassem grandes homenagens, mas apenas uma flor.
O desejo, simples e profundamente simbólico, ganhou agora um significado ainda maior.
A professora que durante décadas recebeu flores de seus alunos pediu que, quando chegasse o momento de partir, cada um deles pudesse retribuir aquele carinho levando apenas uma flor. A mensagem foi lembrada nesta quinta-feira, após a confirmação de sua morte.
É como se, de certa maneira, a professora tivesse preparado também a última aula: uma lição sobre afeto, gratidão e memória.
Uma despedida à altura de sua história
O velório de Maria Izabel Rodrigues acontece nesta quinta-feira (27), das 17h às 23h, no campus Renascença da UNDB – Centro Universitário Dom Bosco, em São Luís.
Em respeito à fundadora, o Grupo Educacional Dom Bosco suspendeu as atividades acadêmicas e escolares nesta quinta e sexta-feira (28), com retomada prevista para segunda-feira (31).
Para os antigos alunos e amigos que desejarem atender ao último pedido da professora, a orientação é levar uma flor simples, diretamente ao local do velório.
Sem grandes arranjos. Sem formalidades.
Apenas uma flor.
Um legado que permanece
Maria Izabel Rodrigues deixa uma marca que vai muito além dos prédios, das salas de aula e dos números que contam a história de uma instituição.
Seu maior patrimônio está nas pessoas que passaram por suas escolas e levaram consigo conhecimentos, valores, amizades e lembranças.
São gerações de maranhenses que, de alguma forma, tiveram suas histórias tocadas por aquela pequena escola que nasceu em 1958 e que, com o passar do tempo, se transformou em um dos mais conhecidos grupos educacionais do Estado.
Agora, enquanto São Luís se despede de sua fundadora, o antigo casarão da Rua do Passeio se prepara para guardar para sempre essa memória.
E talvez não exista homenagem mais bonita do que essa: transformar a antiga escola em um lugar de lembrança e fazer da flor, que tantas vezes simbolizou o carinho dos alunos, o último gesto de afeto para aquela que dedicou a vida a ensinar.
Maria Izabel partiu. Mas sua história continuará sendo contada por cada geração que ajudou a formar.



