Além do contato com a cultura popular, as oficinas proporcionaram novas descobertas aos participantes (Fotos/Divulgação)
O compasso dos tambores ecoou pelos corredores da Unidade de Promoção da Saúde SESI Araçagi, em São José de Ribamar, na quarta-feira (8), marcando o início do Circuito Cultural SESI-MA. Durante o primeiro dia da programação de férias, crianças e adolescentes de 8 a 16 anos trocaram as telas dos celulares por rodas de Tambor de Crioula e Capoeira, em uma imersão nas manifestações que ajudam a contar a história e a formar a identidade do Maranhão.
A abertura do projeto reuniu música, dança, movimento e ancestralidade em atividades conduzidas por mestres e educadores da cultura popular. Entre cantos, palmas e instrumentos tradicionais, os participantes conheceram a origem de duas expressões reconhecidas pelo legado de resistência e pela transmissão de conhecimentos entre gerações. A iniciativa segue até o dia 17 de julho, dividida em duas turmas, com encerramento em apresentações culturais abertas às famílias.
Nascido nas comunidades negras maranhenses, o Tambor de Crioula foi apresentado como muito mais do que uma manifestação artística. Ao lado da Capoeira, criada como instrumento de resistência da população negra escravizada e hoje reconhecida como patrimônio cultural brasileiro, a prática permitiu que os participantes aprendessem sobre memória, pertencimento e diversidade de forma dinâmica.
Responsável pelas oficinas de Tambor de Crioula do Mestre Leonardo, Regina Avelar destacou que o convite do SESI-MA trouxe um desafio diferente ao grupo. Segundo ela, além da dança, da musicalidade e da história, foi desenvolvida uma proposta voltada aos acessórios utilizados na manifestação, especialmente o turbante, símbolo de resistência e identidade afro-brasileira. “A proposta nos levou a pensar em uma forma acessível para diferentes públicos, principalmente as crianças. Criamos um modelo que pode ser usado tanto como faixa quanto cobrindo a cabeça, preservando o significado desse elemento e tornando a experiência ainda mais participativa”, explicou.
Nas oficinas de Capoeira, o aprendizado foi além dos movimentos corporais. A professora Luana Pereira ressaltou que cada atividade desenvolvida trabalha habilidades físicas, cognitivas e sociais, ao mesmo tempo em que preserva a memória dessa manifestação cultural. “A capoeira desenvolve coordenação motora, equilíbrio, convivência e expressão. Nas músicas e nas rodas, contamos histórias, preservamos tradições e mostramos às crianças a importância dessa herança cultural na formação da nossa sociedade”, afirmou.
Além do contato com a cultura popular, as oficinas proporcionaram novas descobertas aos participantes. Natural de Minas Gerais e morando no Maranhão há quase sete anos, a estudante Aline Carneiro, de 15 anos, participou pela primeira vez de uma roda de Tambor de Crioula. “Eu nunca tinha tido contato com essa manifestação. Achei muito interessante conhecer um pouco mais da cultura daqui. Foi uma experiência leve, divertida e muito fácil de acompanhar. Gostei bastante”, contou.
Para a pequena Irís Melo, de 8 anos, o dia também foi marcado por novidades. Sem nunca ter participado de atividades de Capoeira ou Tambor de Crioula, ela saiu empolgada após conseguir executar movimentos como a parada de mão e a estrelinha durante a oficina, além de celebrar a diversão ao lado dos novos colegas.
As atividades de Capoeira são conduzidas por integrantes do Grupo Laborarte, do Centro Cultural Grãos e do Cortiço do Abelha, instituições reconhecidas pela atuação na preservação e difusão da cultura popular maranhense.
O Circuito Cultural SESI-MA prossegue com oficinas de ritmos maranhenses e atividades recreativas na quinta (9). Na sexta-feira (10), os participantes farão um passeio pelo Centro Histórico de São Luís, visitando espaços que preservam a memória e o patrimônio cultural do estado. A segunda etapa será realizada entre os dias 15 e 17 de julho, repetindo a programação e culminando com uma mostra cultural que reunirá todas as turmas em uma celebração das tradições maranhenses.



