‘Samba da Formosa’ reúne multidão e celebra os Tenores da Ilha em clima de São João

Nedilson Machado
Ribinha de Maracanã, Marcos da Maioba e Chagas do Boi de Ribamar transformaram a Rua Afonso Pena em um grande arraial a céu aberto e celebraram a força da cultura popular maranhense (Fotos/Divulgação)

 

O entardecer do último domingo ganhou cores, sons e emoções especiais no Centro Histórico de São Luís. Entre casarões centenários, fachadas revestidas de azulejos portugueses e a atmosfera única da antiga Rua Formosa — hoje Rua Afonso Pena —, o Samba da Formosa reuniu mais uma vez um grande público em torno da música, da convivência e da valorização das tradições maranhenses.

A edição entrou definitivamente no clima do São João ao receber três dos mais importantes nomes da cantoria popular do estado: Ribinha de Maracanã, Marcos da Maioba e Chagas do Boi de Ribamar. Conhecidos como os “Tenores da Ilha”, os artistas conduziram uma apresentação memorável, levando para o coração do Centro Histórico a força das toadas dos bois de matraca.

Turistas e ludovicenses dividiram o mesmo espaço e a mesma emoção. A cada canto entoado, o público respondia em coro, transformando a rua em um grande encontro de vozes, memórias e afetos. Mais do que um espetáculo musical, a apresentação reafirmou a vitalidade de uma cultura que atravessa gerações e permanece como uma das maiores expressões da identidade maranhense.

O cenário contribuiu para tornar a experiência ainda mais especial. Em frente à histórica Pousada Colonial, antigo casarão pertencente à tradicional família Mohana, a festa ganhou uma moldura singular. A beleza dos raros azulejos portugueses em alto relevo dialogava com a musicalidade dos mestres da cultura popular, criando uma conexão entre patrimônio material e patrimônio imaterial.

A própria Rua Formosa carrega uma história que a torna única na capital maranhense. Ligando, em linha reta, os rios Bacanga e Anil, a via é um verdadeiro corredor de memórias da cidade. Por ela passaram personagens, costumes e manifestações culturais que ajudaram a construir a identidade de São Luís ao longo dos séculos.

Mais do que um evento musical, o Samba da Formosa vem se consolidando como um importante espaço de encontro e pertencimento. A iniciativa tem atraído moradores, visitantes, artistas e amantes da cultura popular para vivenciar o Centro Histórico de forma espontânea, fortalecendo a ocupação cultural de um dos conjuntos arquitetônicos mais emblemáticos do país.

À frente do projeto está o produtor cultural Ricardo Fernandes Pororoca, idealizador de uma proposta que une tradição, convivência e valorização das raízes maranhenses. Sob sua coordenação, o Samba da Formosa transformou-se em um dos mais autênticos pontos de encontro da cena cultural ludovicense, aproximando diferentes gerações em torno da música e da identidade local.

Naquela tarde de domingo, entre sambas, toadas e aplausos, a antiga Rua Formosa voltou a cumprir um de seus papéis mais nobres: ser palco da história viva de São Luís. E, quando os Tenores da Ilha soltaram suas vozes, foi como se toda a cidade cantasse junto.

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