Do Maranhão, Tiyê Macau apresenta o espetáculo “Brinquedo: De Onde Surgem os Sonhos?”, nos dias 30 de setembro e 2 de outubro, terça e quinta, às 21h30, na Sala 2 do Sesc Campinas (Foto/Divulgação)
A dança toma conta de Campinas em 2025. De 25 de setembro a 5 de outubro, a cidade se transforma em palco da 14ª Bienal Sesc de Dança, que comemora dez anos de história na região e reúne corpos, ritmos e linguagens de diversos cantos do mundo. São cerca de 80 atividades – entre espetáculos, performances, instalações e ações formativas – representando 18 países e 10 estados brasileiros, que expandem os limites da cena contemporânea e convidam o público a explorar novas percepções e reflexões.
Realizada pelo Sesc São Paulo, com apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Bienal chega a sua sexta edição em Campinas – o festival acontece na cidade desde 2015, após oito edições em Santos (de 1998 a 2013) – reafirmando a dança como espaço de encontro, diversidade e invenção. Danças cênicas, urbanas, populares, experimentais e comunitárias compõem uma programação vibrante que mistura tradição e vanguarda, colocando em diálogo artistas consagrados e novas vozes.
Do Maranhão, Tiyê Macau apresenta o espetáculo “Brinquedo: De Onde Surgem os Sonhos?” nos dias 30 de setembro e 2 de outubro, terça e quinta, às 21h30, na Sala 2 do Sesc Campinas. A obra mergulha na relação entre o brincante e o encantado. A partir de saberes afrodiaspóricos e originários, a criação, na busca por adiar possíveis fins de mundos, encontra em imagens, sons, danças e palavras estratégias para sustentar o céu – ou convidar à escuridão fecunda dos sonhos. Para isso, a obra cruza, em sua composição, dividida em três fluxos de brincadeiras, as práticas de Tiyê Macau sobre movimentos de in-corpo-ação e a pesquisa de dança sonora e digital transmídia de Ruan Francisco. Surgem, assim, paraquedas coloridos para adiar a queda iminente e conceber, entre a imagem e o gesto, possibilidades de recuperar ou continuar a existência de uma fauna-flora encantada.
“O que experimentamos em Brinquedo é essa dimensão da presença em passagem, da incorporação de memórias e presenças para além das humanas. Produzimos sonoridades, músicas, gestualidades em tempo real, numa atualização da memória. Nos colocamos à disposição da memória que quer atravessar aquele momento. Tecnologias continuadas por diversos povos em Abya Yala [na língua kuna, significa “terra madura”, “terra viva” ou “terra que floresce”, e é sinônimo de América], no continente africano e em tantas outras comunidades e sociedades que continuam a existir, apesar do assombro colonial”, salienta Tiyê Macau.



