Saudade ou ansiedade? Entenda como cães e gatos reagem à ausência dos tutores

Nedilson Machado
Fernanda Karollyne, professora de Medicina Veterinária do UniFacimp Wyden, explica como identificar sinais de desconforto e dá orientações para tornar os períodos de solidão mais tranquilos para os animais (Fotos)

O cachorrinho percebe que sua tutora está prestes a sair de casa e tenta impedir a despedida. A cena da animação Pets: A Vida Secreta dos Bichos, lançada em 2016, é fictícia, mas bastante familiar para quem convive com animais de estimação.

O filme desperta uma curiosidade comum entre os tutores: afinal, o que cães e gatos fazem quando ficam sozinhos? Enquanto alguns aproveitam para descansar, outros podem enfrentar momentos de ansiedade e desconforto.

Segundo Fernanda Karollyne, professora de Medicina Veterinária do UniFacimp Wyden, a reação dos animais depende de fatores como temperamento, experiências anteriores, rotina e ambiente.

“Animais acostumados gradualmente a passar períodos sozinhos, que vivem em espaços confortáveis e têm acesso a atividades e estímulos adequados, tendem a lidar melhor com esses momentos. Já aqueles muito dependentes da presença do tutor, que passaram por mudanças bruscas na rotina ou não foram habituados à separação podem apresentar maior dificuldade”, explica.

A especialista destaca que o problema não é exclusivo dos cães. Apesar da fama de independentes, os gatos também estabelecem vínculos afetivos com seus tutores e podem apresentar alterações de comportamento diante da ausência deles.

Sinais de alerta

Mudanças no comportamento habitual merecem atenção. Entre os sinais estão falta de apetite, vocalização excessiva, agitação, isolamento e alterações nos hábitos de urinar ou defecar.

“Urinar ou defecar fora do local adequado, deixar de se alimentar, apresentar vocalização excessiva ou, ao contrário, ficar silencioso e quieto demais, por exemplo”, enumera Fernanda.

Como muitos desses comportamentos ocorrem na ausência dos tutores, câmeras ou gravações podem ajudar a identificar possíveis sinais de sofrimento.

A veterinária alerta, porém, que nem toda alteração está relacionada à ansiedade de separação. Alguns sintomas podem indicar problemas de saúde e exigem avaliação profissional.

Ambiente acolhedor

Para tornar os períodos de ausência mais tranquilos, Fernanda recomenda oferecer um ambiente confortável, com brinquedos e atividades que estimulem o animal.

“Ter um ambiente rico em brinquedos e um lugar aconchegante para o pet é importante, porque isso mantém o cão ou gato ocupado. O brincar desestressa e traz sensação de bem-estar”, afirma.

Brinquedos interativos, atividades de busca por alimentos e espaços adequados para descanso são boas alternativas. Para os gatos, arranhadores, esconderijos e plataformas elevadas ajudam a enriquecer o ambiente. Todos os objetos, entretanto, devem ser seguros para uso sem supervisão.

Outra estratégia é deixar uma peça de roupa com o cheiro do tutor no local onde o animal costuma descansar, desde que não exista risco de mastigar ou engolir o tecido.

Também é importante habituar o pet gradualmente à ausência, começando por períodos curtos. No caso dos cães, passeios e atividades físicas adequadas podem contribuir para uma rotina mais equilibrada.

A especialista recomenda ainda evitar punições quando o animal destrói objetos ou faz suas necessidades fora do lugar. Além de não solucionar o problema, o castigo pode intensificar o medo e a ansiedade.

Se os sinais persistirem ou houver sofrimento intenso, a orientação é procurar atendimento veterinário.

“O acompanhamento veterinário permite investigar possíveis causas clínicas e comportamentais e definir quais medidas são mais adequadas para cada caso, considerando as necessidades do animal e a rotina da família”, conclui Fernanda.

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