Ortodontista Cristiane Barros Leal explica por que a avaliação precoce é importante para acompanhar o desenvolvimento da dentição e identificar possíveis alterações na mordida (Foto/Divulgação)
A semana do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, também abre espaço para um alerta às famílias sobre a importância da saúde bucal desde os primeiros anos de vida. Mais do que prevenir cáries e manter uma boa higiene oral, o acompanhamento odontológico permite observar o desenvolvimento dos dentes e dos ossos da face, identificando alterações que podem exigir atenção especializada.
Segundo a ortodontista Cristiane Barros Leal, um dos equívocos mais comuns é acreditar que a avaliação ortodôntica deve ocorrer somente após a troca dos dentes de leite pelos permanentes.
“A presença de dentes de leite não impede uma avaliação ortodôntica. Durante a infância, os dentes, os ossos da face e as funções da boca estão em desenvolvimento. Acompanhar esse processo permite identificar alterações e definir, quando necessário, o melhor momento para iniciar um tratamento”, explica.
A especialista ressalta, no entanto, que avaliação precoce não significa uso imediato de aparelho ortodôntico. A indicação depende do diagnóstico, da fase de crescimento e das características individuais de cada criança.
“Não é a idade, isoladamente, que define a necessidade de tratamento. Algumas crianças precisam apenas de acompanhamento, enquanto outras podem apresentar alterações que justifiquem uma intervenção”, esclarece Cristiane.
Sinais que merecem atenção
Entre os problemas que podem exigir avaliação estão mordidas cruzadas ou abertas, dentes desalinhados ou projetados, dificuldades para morder e mastigar, perda precoce dos dentes de leite e falta de espaço para os permanentes.
Alterações no crescimento dos maxilares também merecem atenção. O diagnóstico permite ao ortodontista acompanhar a evolução da arcada dentária e avaliar se há necessidade de tratamento ou apenas de observação periódica.
Hábitos que influenciam o desenvolvimento
Além da posição dos dentes, a avaliação ortodôntica considera hábitos e funções bucais. O uso prolongado de chupeta, a sucção do dedo, a posição da língua e a forma de engolir podem estar associados a alterações na mordida.
“Quando existe um hábito, precisamos avaliar sua participação no problema e trabalhar para removê-lo no momento adequado. Colocar um aparelho sem observar os fatores envolvidos seria olhar apenas para uma parte da questão”, destaca a ortodontista.
Cristiane explica que algumas alterações podem melhorar espontaneamente após a interrupção desses hábitos, especialmente quando isso ocorre mais cedo. Outras, porém, podem exigir acompanhamento ou intervenção especializada.
A respiração predominantemente pela boca é outro sinal que merece investigação e, dependendo do caso, pode demandar avaliação conjunta com profissionais de outras especialidades.
Para a ortodontista, o principal recado às famílias é que cuidar do sorriso infantil vai muito além da estética. O acompanhamento adequado contribui para identificar alterações, orientar hábitos saudáveis e favorecer o desenvolvimento das funções bucais ao longo do crescimento




