Orquestra de Câmara de Pernambuco chega ao Maranhão neste mês com o Circuito Armorial

Nedilson Machado
Apresentação da Orquestra de Câmara de Pernambuco, que estará no Maranhão sexta (9)  e sábado (10) (Foto/Divulgação)

 

Uma música que bebe na fonte da tradição popular, mergulhando na raiz do maracatu, do caboclinho, dos aboios e do terno de pífanos, transportando esta riqueza para o universo de uma orquestra. A música armorial, representação artística sonora do Movimento Armorial encabeçado pelo escritor paraibano Ariano Suassuna, é tema de uma bela homenagem da Orquestra de Câmara de Pernambuco (OCPE).

Inspirado nos 50 anos do Armorial, o conjunto, que tem à frente o maestro José Renato Accioly, realiza o Circuito de Música de Câmara – Edição Armorial, que, depois de passar por três cidades em Pernambuco, chega, nos dias 9 e 10 de junho, a Santa Rita e Itapecuru Mirim, no Maranhão. Os concertos são abertos ao público.

O Circuito de Música de Câmara

Edição Armorial tem produção de Carla Navarro e conta com patrocínio do Ministério da Cultura e do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. “Este foi um projeto idealizado para 2020, no máximo, 2021, para marcar os 50 anos da música armorial, mas a pandemia nos fez adiar. Estamos muito felizes em poder fazê-lo agora e oferecer às novas gerações a possibilidade de conhecer essa música. Tenho filhos de 26, 28 anos, que não tiveram contato com essa música e com a força do Armorial para a cultura brasileira”, afirma o maestro.

A escolha pelas cidades de Santa Rita e Itapecuru Mirim se deve ao fato de ambas não terem tradição neste tipo de formação. “Nosso objetivo é atingir cidades que ficam de fora dos circuitos percorridos pelas orquestras em geral. São cidades que, pela proximidade com São Luís, acabam ficando fora do roteiro das orquestras. Em Pernambuco, também priorizamos locais com este perfil, a exemplo de Sertânia e Camaragibe. A única exceção foi o Recife, que entrou na rota porque é a nossa casa”, ressalta a produtora Carla Navarro.

Na caravana da OCPE viajam 25 pessoas, entre músicos, maestro e produção. Em cada uma das paradas do circuito, eles realizarão, à tarde, um concerto-aula; e à noite, o concerto propriamente dito. “Realizamos o concerto-aula com muito carinho, apresentando didaticamente os instrumentos que formam a orquestra, como cada um contribui para o resultado final, e as músicas; no caso, as peças armoriais. Será a hora de falar um pouco do que foi o movimento e as características dessa música que nasceu dentro desta escola”, revela José Renato, que também é maestro assistente da Orquestra Sinfônica do Recife.

Viagem musical

O maestro explica o que dá importância à produção armorial. “Foi o movimento que mais profundamente mergulhou na tradição popular, no folclore. Ele faz uso da rítmica, das melodias modais nordestinas, da harmonia que essas melodias produzem, dando a esta raiz musical uma roupa de orquestra, uma roupa de sonoridade europeia, por se tratar de uma orquestra com formato europeu, com violinos, violoncelos, contrabaixo e violas, incorporando ainda duas flautas e um conjunto de percussão. Fazendo alusão ao popular, as duas flautas representariam os pífanos; as cordas representariam as rabecas, e a percussão traz a zabumba, o triângulo e o pandeiro da tradição dos brinquedos populares”, conclui.

A viagem musical por Pernambuco e Maranhão prenuncia um animado calendário para a Orquestra de Câmara de Pernambuco no ano de 2023. “Temos muita coisa boa para este ano. Nosso objetivo, além de oferecer espetáculos pautados pela excelência, é formar plateias. Quando a gente passa por cidades tão carentes de cultura, coloca uma semente no coração daquele público. E é daí, desses momentos, que fomentamos o músico profissional. Temos vários casos de profissionais que despertaram para a música em apresentações como essas. Essa é uma responsabilidade que abraçamos com muita alegria”, finaliza Carla Navarro.

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